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sábado, 18 de abril de 2026

Palhaçadas perigosas

Desde criança que o circo me fascina. Os palhaços são personagens centrais e imprescindíveis em qualquer circo. O palhaço irresponsável e perigoso que é personagem deste texto não tem graça, é ignorante, arrogante, esquizofrénico, enfim, citando Pelosi, só um psiquiatra poderá, talvez, explicar o seu comportamento. E todavia, ocupa a presidência dos Estados Unidos da América. Se bem julgo, conseguiu, nestes dois anos, granjear para os USA a antipatia do mundo inteiro. A minha só será restaurante quando os americanos "interditarem" este avejão. A questão continua a ser: como foi possível que o povo norte-americano possa ter colocado tal palhaço irresponsável na Presidência? E como foi possível que tenha encontrado e se tenha rodeado de tantos sabujos obcecados apenas em bajular o imbecil-mor? Há coisas inexplicáveis e inqualificáveis. Mas tenho para mim que Trump entende a política como um mero jogo de força. Criado a transaccionar imobiliário, com algumas derivações em competições viciadas de beleza feminina ( miss universo, misso usa, miss teen usa, v.g.) e ainda -ao que consta- a iludir responsabilidades com insolvências e planeados enredos fiscais, perspectivou a política e designadamente a presidência como um negócio onde a força é um argumento constante, a ameaça uma trivialidade e a mentira e a fanfarronice o único tabuleiro de jogo que conhece. Como conseguiu e vai conseguindo instrumentalizar tudo e todos, designadamente nas forças armadas dos USA é a tal situação inexplicável! Que ameaça e eventualmente atemoriza quem apenas se atreva a expressar discordância com as suas palhaçadas é um facto indesmentível e que o mundo inteiro testemunhou e testemunha. Que se acobarda quando lhe fazem frente e recua como um pedengo assustado mas que nunca para de ladrar, todo o mundo o sabe também. Veja-se o que aconteceu com a China. Devo confessar que terá sido a única ocasião - que me ocorra- em que bati palmas a Xi Jiping. E, recentemente, a firmeza de Sanchez fez com que subisse uns pontos na minha consideração, esquecendo-me momentaneamente que este homem é capaz de fazer acordos com terroristas e sequazes e com independentistas desonestos e oportunistas só para se manter no poder. 
    Como disse Van Der Leyen ninguém com um mínimo de bem senso derramaria uma só lágrima pelo regime dos Ayatollahs no Irão. O povo iraniano quis derrubá-lo com os protestos anteriores à guerra. E consegui-lo-á um dia Mas Trump não tem e nunca teve qualquer intenção de derrubar o regime. Chegou mesmo a afirmar que só lhe interessava ter uma palavra a dizer na escolha do ayatollah. E entretanto conseguiu colocar o povo iraniano contra os EUA. Naturalmente. Iniciou uma guerra, arrastado ou não por Netaniahu - é indiferente - sem medir as consequências. Em bom rigor, nem saberia sequer a localização e importância do estreito de Hormuz. Já revelou várias vezes uma patética ignorância geográfica. Com tanta fanfarronice - num dia manda o Irão para a idade da pedra; numa noite acaba com uma civilização, etc. etc.  Que saberá ele da civilização persa? O facto é que determinou que o Irão fechasse o estreito e colocou o mundo inteiro com os nervos em franja. O último objectivo é a reabertura do estreito. . Mas não estava aberto quando ele iniciou a guerra? Porque não pensou nas consequências dos seus actos? A resposta e fácil. Porque não pensa. A realidade limita-se ao que o homem quer ouvir. É inacreditável que ninguém, no maior exército do mundo, lhe tenha falado nos riscos desse impulso desmiolado. Segundo Trump, o Irão renunciou agora a ter uma arma nuclear. Mas todos sabemos que o Irão sempre negou, com provável dissimulação, os objectivos militares da sua " aventura" nuclear. 
     Ao que parece as pessoas por esse mundo fora começam a pensar que o apoio ou a mera amizade, por fingida que seja, de Donald Trump e Cª é muito tóxica, para usar uma expressão em moda. Veja-se o que aconteceu a Orbán. E vai acontecer mais vezes. Só os americanos não conseguem ver. Porquê? Será o movimento MAGA assim tão poderoso e capaz de manipular tanta gente?
    Recuso-me a comentar a última polémica com o papa. Direi apenas que a pouca vergonha de Trump é tal que conseguiu atribuir ao Papa a opinião de que o Irão deveria ter uma arma nuclear. Francamente! Como é possível aturar uma garotice destas?
    Vai enganar-se uma vez mais. Porque o Papa americano não é funcionário dos EUA nem se amedrontará com as patetices de Trump & Cª. Porque há um limite para tudo. Até para palhaçadas. Que me desculpem o circo e os verdadeiros palhaços por quem continuo a nutrir uma grande admiração.
    

 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Federalismo Pragmático


 Ao que parece, na próxima quinta feira, dia 12 de Fevereiro os lieders europeus encontrar-se-ão no Castelo de Alden Bissen na Bélgica para discutirem assuntos importantes, visando a competitividade económica e também aquilo a que se chama já o "federalismo pragmático". Como li que Mario Draghi e Eurico Letta também estarão presentes, apesar de nenhum deles ocupar, neste momento, lugares de decisão política de relevo, tenho esperança de que, finalmente, a Europa entenda que a aventesma Trump não passa disso mesmo. Gabarolas, cobardola e ignorante. É tempo de a UE demonstrar ao Presidente dos Estados Unidos da América que não está disposta a suportar mais esta miserável farsa a que o senhor se dedica empenhadamente. A força não está apenas no poder nuclear e ouso dizer que não está sequer primordialmente no poder nuclear. Há muitos anos- ainda na minha adolescência- a corrida nuclear estava na ordem do dia e nós discutiamo-la frequentemente. Lembro, por isso, um colega que, farto da conversa se saíu com uma verdade insufismável. Para que é que os dois ursos ( união soviética e eua) quererão mais armas nucleares se aquelas que têm já destruirão o mundo. incluindo aquele que as usar? Em linguagem recente relembro também as sistemáticas ameaças da federação russa, particularmente do imbecil Medvedev que já foi presidente e agora preside ou subpreside ao conselho de defesa, se é assim que se chama o corpus nigrum ou muleta de Putin.
Regressando ao tema: Draghi afirmou há dias que a UE tinha de avançar em direcção ao federalismo. Isso não exige que todos os Estados o queiram e não precisa disso sequer. O tratado da União prevê uma cooperação alargada ( enhanced cooperation) desde que 9 Estados, pelo menos assim entenda. Ora, se é verdade que as decisões em democracias são sempre mais difíceis e morosas do que em estados autoritários, também é verdade que a UE não pode continuar a permitir ser permanentemente minada pela Hungria de Orban ou pela Eslováquia de Fico. Logo, a única hipótese é ir em frente, avançar para um federalismo pragmático com aqueles estados que queiram. De uma ou de outra forma, a Hungria e a Eslováquia já são excepções permanentes não aceitando financiar seja o que for a não ser a si mesmos. Em boa verdade, querem mamar da UE e nada mais. Para a competitividade económica Von der Leyen fala na preferência europeia. Ou seja, havendo produtos fabricados na UE, não deveria ser possível comprar fora da UE, particularmente quando se utilizam fundos comunitários. É o que entendo. E aplaudo as duas medidas sem reservas e aplaudirei qualquer outra que mais ou menos diplomaticamente diga ao Trump que a UE não atura mais basófias. Por isso mesmo é tempo de o pateta Rutte ( mesmo não sendo UE mas NATO) entenda que chega de dar graxa ao cágado, queria dizer ao Trump. Aliás, até o Fico já se manifestou dizendo que o homem está desequilibrado e é perigoso.
Para terminar: parabéns ao povo português e ao seu bom senso. Julgo que elegeu um bom presidente: sério, honesto, conhecedor e espero que exigente com o governo, como tem afirmado.