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domingo, 10 de julho de 2011

Regresso aos Cucos

Inevitável regresso aos Cucos. Diz o semanário expresso que o Presidente da Câmara de Loures emprega, na autarquia, nada mais nada menos, do que 5 familiares: mulher, filha, dois cunhados e nora ou futura nora, -não se entende bem-. Mas, como o de Grândola, diz  que nada lhe pesa na consciência.  Obviamente. Se esta gente tivesse consciência, o País seria um local asseado e decente, onde se poderia viver. É outro socialista. Mera coincidência! O Rato é apenas uma referência e um dos lugares geométricos da enorme agência de empregos em que os partidos se transformaram.
Todos eles. Particularmente aqueles que já ocuparam o poder. Central, regional e local. Ocuparam o poder, é este o termo, de facto. A impunidade já não tem qualquer tipo de explicação. Teremos chegado ao ponto em que só pode pensar-se e dizer-se quanto pior melhor. Claro que somos todos a sofrer as consequências. Mas não seria desejável - em abstracto e só em abstracto - que não houvesse dinheiro para pagar este triste abocanhar dos recursos escassos de um país pobre com uma população já resignada a tanta pouca vergonha?  Ah! Os Cucos! Maravilhosa historieta desta democracia sobrevoando um palco de marionetas num silêncio envergonhado. Que pena.
  

sábado, 9 de julho de 2011

Murdoch e as marionetas de fio

O cartoon é hoje 1ª página do Jornal Público. A minha homenagem ao autor. Vem na sequência do encerramento do Jornal News of the world, em virtude das escutas ilegais, dizendo que Cameron teria ordenado a realização de um inquèrito.
Ocorre-me que também os Políticos portugueses - muitos dos que nos têm governado nas últimas décadas- deveriam ser cartaz de um anunciado espectáculo de marionetas. Murdoch poderia ser substituído por muita gente. Também dos meios de comunicação. Mas, em 1º lugar, o "espírito santo de orelha" sussurra-me que indicado deveras seria um figurão da Banca. Por razões que o dinheiro bem conhece, tudo o que tem acontecido a Portugal parece ter sido inspirado nos interesses desse figurão. Porque será que o jornalismo português, e até os bons cartoonistas que temos e sempre tivemos, - mesmo no tempo do Estado Novo- têm bem mais inspiração para acontecimentos e personagens internacionais do que para o que se passa na paróquia?
É certo que muito do nosso jornalismo é mau, pouco corajoso, culturalmente medíocre para não destoar, e vive das migalhas do poder. São fenómenos notórios que se manifestam com alguma subtileza em todos os momentos e com clareza em época de eleições e que explicam, porventura, a razão pela qual as sondagens dão sempre - nos últimos tempos - melhores resultados ao partido no poder do que aqueles que acaba por alcançar. Mas os inquiridos também terão alguma reserva mental. Tudo em sintonia, afinal, com os brandos costumes nacionais. Ainda que haja más "notações" dos ridículos economistas de todas as Moody's. Afinal, ridículos mesmo são todos aqueles que reagem em função dessas avaliações. Ou melhor: ridículo é um mundo dirigido por palpites vertidos em patéticas sequências alfanuméricas. É tudo tão precário que custa a acreditar. Precário e feio o caminho que teimamos em percorrer. 
 Até quando? Assustador é pensar que não haverá regresso.

                                   

terça-feira, 5 de julho de 2011

Ternura rafeira

No passado dia 16 de Junho, a rafeira Diana, ainda adolescente - com menos de um ano - pariu 7 cachorros, na Quinta dos Olhos d'Água, debaixo de uma sebe. Dois morreram pouco tempo após o parto. Restam 5, com aspecto gordo e saudável. Começam a mexer-se e já procuram ração, além da teta da mãe.
São filhos de adolescente, como disse, e de uma relação incestuosa, visto que o pai é o irmão da Diana, de seu nome Maltês. Trata-se de um belo exemplar de rafeiro alentejano. Na fotografia, vê-se o focinho do Manolo ( único com nome e também o mais atrevido), e o irmão cinzento e branco está de rabo.
Uma vez mais o campo proporciona momentos de reflexão. Vale a pena ponderar a força e a capacidade do instinto animal, enquanto componentes essenciais da natureza. A cadela é assustadiça e, por isso ou por algo mais, acaba por ter comportamentos tolos. Só nos foi dada, em estado faminto e maltratada, um mês depois do Maltês. Recuperou, mas ainda hoje pesa metade do irmão ou pouco mais. Todavia, desde que pariu, não permite que o irmão se aproxime dos canitos. O cão morde-a, o que também não é comum, ao que julgo. Ainda assim, o cão respeita o seu instinto maternal e não se aproxima dos filhos/sobrinhos. Por enquanto.
Esta protecção firme das crias em detrimento do macho, ainda que pai, já acontecera na Quinta, quando uma égua pariu. A protecção era tal que chegava a ser agressiva para o macho. Tudo isto ou quase tudo é transportável para o ser humano, provavelmente. Por muito cruel que pareça.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Europa e Estado-Providência:notas esquemáticas

De tempos a tempos, leio agora e oiço considerações muito críticas sobre a Europa e até- imagine-se - sobre o grande motivo de orgulho europeu, após os anos 40: o Estado Social. Há décadas que, em França, mas não só, se previu o fim do Estado-Providência, pela sua insustentabilidade. Mas enfim, a difusão de ideias leva o seu tempo. A insustentabilidade do Estado-Providência, tal como aquele que foi levianamente criado na Europa, não reside tanto no desperdício de meios, mas sim na mentalidade simplista, reducionista, resignada que criou ou ajudou a criar em grande parte da população. Mesmo com a crise gravíssima que vivemos e com taxas de desemprego próximas do absurdo, é comum vermos ofertas de emprego em lojas e que ninguém aceita: ou porque tem de se trabalhar ao fim de semana, ou porque o desempregado, com o valor do subsídio e uns biscates 3 ou 4 vezes por mês acaba por auferir mais do que se tivesse num emprego permanente. Enfim, o Estado- Providência criou os mecanismos naturais de um certo parasitismo que agora passou a ser "moda" denunciar. Só agora!
Revejo, num relance, a história política europeia posterior à segunda Guerra mundial. Detenho-me em momentos chave que levaram à gordura mórbida do Estado Social. Sim, porque todos concordamos com algum apoio público para quem precisa. Ver as pensões de miséria existentes em Portugal e  compará-las com os apoios escandalosos e subsídios à preguiça a jovens de quem deveríamos esperar trabalho, dinamismo e até alguma rebelião, é chocante. Mas, o que se passou em Portugal e talvez um pouco em todos os PIIGS, é deveras espantoso. Conseguiram ultrapassar em poucas décadas, em desperdício, ineficácia e leviandade, todos os outros Estados Europeus. Quem foi tão incompetente? Quem foi tâo irresponsável? Todos os partidos, um pouco. Mas que a memória me traz um gosto a azedo de muito pretenso e arrogante socialismo - ou falso socialismo - é indiscutível.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Regressando aos Cucos

O autarca socialista Carlos Beato nomeou o seu filho para o cargo de adjunto do seu gabinete de apoio pessoal, decisão que qualifica como "consciente e responsável" - hoje no DE ( Sapo)
        
       Impossível evitar comentar a cucolândia! O despudor atingiu os limites do patético, onde se julga que tudo é justificavel. Despudoradamente rídiculo. Fui ver. Imaginem. É um militar do 25 de Abril. Porquê? Comandava um pelotão dos homens de Salgueiro Maia. Que extraordinário! Eu comandei um pelotão 3 anos e meio na fronteira do Norte de Angola. E já lutara contra a guerra colonial, enquanto estudante. E vi os homens do Salgueiro Maia na Praça do Comércio, Era um recém chegado da guerra de África. Percorri Lisboa feliz com os aconteciementos. A operação militar - podem crer - foi de 5ª categoria. A maior parte dos soldados não sabia sequer disparar uma espingarda. O regime estava podre. Por isso caíu. Ainda bem. Mas o que hoje se passa, leva-nos a perguntar: o que aconteceu ao País? Quem é capaz de tão reiterado despudor? 
       Fui ver: tem uma mensagem em vídeo, medíocre, e lê um texto aos solavancos. Mas um curriculum invejável. Sempre a acumular cargos de simpatia e nomeação partidária, claro está. A história nacional sempre teve períodos de oportunismos e desvergonha. Gente que utilizou os bens públicos para seu governo pessoal. Cucos Rabudos, em suma. Mas o que aconteceu ao País nas 3 últimas décadas é tão mau tão mau, que vai ser difícil à própria história encontrar uma justificação razoável. Não há "afastamento" que possibilite qualquer tipo de justificação.

Nostalgia

Nostalgia! Cafiaspirina... O anúncio parece ser de 1936. Ano dos jogos olímicos de Berlim. Sim, os tais em que Jesse Owens, de cor negra, ganhou 4 medalhas de ouro, para grande confrangimento de Adolf Hitler que quis fazer dos jogos um momento de exaltação da "raça ariana". Este cuco não deve ser tratado apenas com ironia. E há quem tudo faça para reabilitá-lo. Pobre mundo. Do ano do Anúncio para cá decorreram 74 anos!

terça-feira, 21 de junho de 2011

Um enredo (pouco) Nobre

pouco nobre
 
Como muitos, sempre pensei ser um erro de Passos Coelho o convite feito a Fernando Nobre. Erro que se confirmaria pouco depois, reiteradamente, pelo comportamento do visado. Deste "enredo" houve ontem mais uma notícia: Fernando Nobre não conseguiu os votos necessários para Presidente da Assembleia da República. Primeira derrota de Passos, dizem. Talvez. Mas com derrotas também pode aprender-se. Mais do que com vitórias. Para já, fica o lado positivo: Passos Coelho terá mantido a sua palavra. Acrescentando o facto de não se ter "assustado" com o barulho dos barões do regime que exigiam uma salada russa ( Passos dixit) com o PS e com a asneira de Cavaco a propósito da dimensão do Governo, temos alguns aspectos positivos na actuação do primeiro ministro apenas indigitado e que, pelos vistos, tomará posse dentro de hora e meia.
Isto aviva-me a esperança deste primeiro ministro não estar comprometido com a arrogância e a consequente incompetência que trouxeram o País ao lodaçal em que se encontra. Enganar-me-ei? Aprenderei uma vez mais. Só que esta réstea de esperança não pode dar-se ao luxo de continuar adiada, por repetida ingenuidade. Minha, claro está.
 Inteiramente descomprometido com o seu partido e com a sua pessoa, - e pensando apenas no País onde nasci e onde vivo - sinto vontade de desejar que o primeiro ministro saiba escolher e que conte com colaboradores sérios e competentes. Oxalá que a obstinação de Fernando Nobre e a sua falta de humildade não venham a repetir-se.
 

terça-feira, 14 de junho de 2011

Mais um pequeno apontamento sobre marionetas



Este assunto - marionetas -está adiado há anos, como já disse. Claro que o objectivo prioritário é conseguir alguma ironia, particularmente no paradigma que espero poder estabelecer com certos comportamentos muito comuns nos variados bonecos ( de fios, luva, até de sombras) que povoam os partidos e a vida pública nacional. O título Cucos e Marionetas tem este propósito, como pode ver-se.
Tal facto e tal objectivo não impedem nem limitam a necessidade de investigar o mais possível sobre o teatro de marionetas. Muito menos excluem o grande fascínio que sinto por tal forma de expressão teatral. Por isso não resisto a deixar aqui este singelo apontamento que li um dia destes: no teatro de marionetas o actor projecta-se no boneco que é a sua criação ( em muitos casos, evidentemente). A representação exige habilidade manual, sensibilidade poética, criatividade na encenação, enfim, é de facto, uma arte completa, no sentido mais amplo do termo que aqui faço equivaler a mester.
No teatro de pessoas ( de palco), onde a experimentação é mais dispendiosa e difícil, naturalmente, pode afirmar-se que o actor é o boneco do director ou encenador. Isto não comporta qualquer sentido pejorativo para o actor, evidentemente. Pelo contrário. Em muitos casos, a capacidade para "personificar" a criação do encenador exige um indiscutível talento.
Falei anteriormente do teatro de sombras, que, no domínio das marionetas, tem sido cultivado com grande mestria no Oriente ( Japão, China, Índia Tailândia, etc.). Ocorre-me algo que talvez não seja estulto de todo. A Alegoria das Cavernas, texto bem conhecido de Platão, não será uma clara aproximação ao teatro de sombras com motivação filosófica?
Por tudo quanto disse, há muito de filosófico no teatro de marionetas, mesmo nas suas formas mais populares. Toda esta forma teatral é popular, no melhor dos sentidos. Ocorrem-me também passagens dos "Autos, Passos e Bailinhos" do Mestre Salas e os Bonecos de Santo Aleixo, hoje entregues ao CENDREV no Garcia de Resende.

domingo, 12 de junho de 2011

Um cheirinho a Marionetas



Ontem consegui algum tempo para ver o retábulo de Dom Cristóbal de Garcia Lorca. Trata-se de uma pequena peça de teatro de marionetas.
Como é sabido, as Marionetas são o assunto há muito adiado, neste sítio. Acresce que decorre em Montemor o IV Encontro de Marionetas até hoje, exactamente, 12 de Junho. O teatro de títeres é fascinante. Enquanto me não decido por algo mais substancial, aqui fica este pequeno apontamento. Espero que legível e visível, porque também não sei onde arrumar o texto e as imagens.


sexta-feira, 10 de junho de 2011

Ele há coisas!

Os jornais noticiaram esta semana que a socialista Ana Gomes comparou Paulo Portas a Strauss-Kahn, opinando que não deveria fazer parte do próximo governo, com o cândido objectivo de evitar humilhações como as que teria sofrido o Estado Francês. Que preocupada! Que francófona!  Há gente para quem qualquer comentário é uma perda de tempo. Não sou e nunca fui admirador de Paulo Portas. Mas não é preciso sê-lo para repudiar um comentário boçal, despeitado, revanchista,  que pressupõe um juízo de natureza criminal sobre o comportamento de Dominique Straus- Kahn, entre outras imbecilidades. Que é feito da presunção de inocência? É um valor elementar da civilização, Senhora Drª Ana Gomes. Vindo de alguém que até nos representa - mal, é verdade - em Bruxelas, é caso para estupefacção. Vindo o comentário de alguém que um dia antes se indignara com uma pergunta de uma jornalista ao seu demissionário chefe sobre o eventual efeito da demissão no andamento dos processos penais em que alegadamente terá estado envolvido, é simplesmente repugnante. A jornalista, bem ou mal, oportuna ou inoportunamente, estava a fazer o seu trabalho. A Euro-deputada, que pertence a um partido que contribuíu decisivamente para a penúria em que o País está e para o descrédito do Estado Português, está a libertar o mais feio despeito e a mais baixa inveja. Neste momento, todos nós deveremos, ao que penso, defender o governo saído das últimas eleições - se democratas ainda somos - ajudando a restaurar alguma credibilidade do Estado. Andar de mão estendida a dizer mal de membros do governo que ainda o não são, é deplorável.
Como é possível que a mediocridade e as atitudes mais patéticas se tenham apoderado desvergonhadamente deste pobre País? O que fez Ana Gomes para ser deputada no Parlamento Europeu? Porque estava na Indonésia quando os Estados Unidos obrigaram este País a retirar de Timor? Será que ela nos quer convencer que teve alguma influência determinante em tal acto?
O oportunismo instalou-se e não deixará que os mais elementares valores regressem e nos ajudem. Infelizmente constatamos isto diariamente. Com as Gomes e os Gomes que ainda nos confrangem.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Será que vamos a tempo?

Após semanas de incerteza, o povo português mostrou que ainda há algum bom senso e dignidade no País. Pelo voto exprimiu mais o repúdio pela contínua mistificação que o PS criou em Portugal, ensaiado pela mão do maestro Sócrates, mas com a participação de muitos e muitos que vivem à sombra do orçamento -despudoradamente - do que confiança a sério no PSD e em Passos Coelho. É o que me parece. O facto de Passos Coelho não estar, aparentemente, entrosado com os barões cujos interesses se entrecruzam há longos anos com os do PS, dá-nos alguma esperança. Que este Estado ineficaz e medíocre se renove, ainda que dolorosamente; que a Justiça leve a maior "chicotada" de que há memória, porque sem isso nada se fará; que o Estado social tenha a equidade e a Justiça como paradigma; que se crie, com seriedade, a rejeição do parasitismo e se premeie o mérito; que, finalmente, haja valores capazes de orientar as novas gerações. Se um pouco- só um pouco - disto acontecer, então talvez possamos ainda ir a tempo.

sábado, 7 de maio de 2011

Ainda a propósito de resgate

Parece que a troika (o fetiche dos assobios estrangeirados é deveras espantoso!) sempre decidiu propor o empréstimo de pouco menos do que 80 mil milhões para cobrir a irresponsabilidade dos Portugueses. Dos que pagam, porque votaram inconscientemente. Dos que desfalcaram, enganaram e mentiram despudoradamente ao País, desgovernando-o, porque a sua irresponsabilidade é tolerada, incompreendida, aceite, eu sei lá! Será possível que o País mereça isto? A atitude não é nova. Como todos sabem, é a terceira vez que esta democracia estende a mão ao estrangeiro, qual indigente manhoso que jura emendar-se, mas sempre com reserva mental. Apesar da culpa dever ser repartida por todos quantos nos têm governado e também pelos que neles votaram e continuam a votar - como disse - a verdade é esta: de cada vez que pedimos "ajuda" em desespero de causa, estava o PS no Governo. Mas, que me lembre, a culpa nunca foi dos responsáveis deste partido. Foi sempre dos outros: oposição, estrangeiro, crises ( petrolíferas ou de sub-prime, etc.). De todos, menos dos governantes do PS. Claro que agora, o Sócrates ultrapassa tudo o que é imaginável. A impressão que se tem é a de alguém completamente fora da realidade. Mas, por inconsciência ou não, até para conseguir manter aquela arrogância e alheamento aliada à acuidade verbal, ou oral, sempre que pode tentar manietar os menos preparados, até para manter essa atitude, repito, é precisa coragem. Nesse aspecto será, porventura, imbatível. Como dizia o povo transmontano e ainda dirá, é um verdadeiro desavergonhado!
Mas a atitude sempre foi assumida desta forma. Leiam-se as "quase memórias" do Almeida Santos. Basta a parte final do 1º volume, a propósito do que qualifica como um ataque criminoso por parte dos jornalistas Albarrã e Feyo na Grande Reportagem sobre a "independência" de Timor Leste. O autor é, consabidamente, um astuto advogado, um orador de grande poder e habilidade e também um homem sabedor. Há que reconhecê-lo. Mas, a sua habilidade para desviar as setas do alvo ou para as encaminhar para a generalidade é deveras notável. Até quando diz que a sua responsabilidade é apenas "qb" e de homem muito bem intencionado. Assim, claro que os ataques feitos á sua pessoa, não o são. São ataques de saudosos do antigo regime ao 25 de Abril e à democracia. Claro que a descolonização foi só um efeito e bem conseguido, apesar de tudo, do desastre que foi o 28 de Maio. Como se vê, no resgate financeiro, como na descolonização, a culpa é do povo português, de todos, mas não da gente do PS. E já agora - pergunto eu - porque paramos no 28 de Maio, que não defendo e nunca defendi? Teve mais a ver com a colonização o rei D. João II do que o 28 de Maio. Pois. Mas o Dr. Almeida Santos reporta-se apenas ao momento em que alguém terá sentido os " ventos da história". Isto poderemos compreender. Mas que todos tenhamos culpa daquilo que a gente irresponsável do PS se recusa sistematicamente a assumir, é demais. Digam-nos lá, Dr. Almeida Santos, Dr. Mário Soares, digam-nos lá honesta e patrioticamente como se intitulam  com invejável garbo: o que pensam da miserável situação em que o País está, 37 anos após a revolução dos cravos? O que pensam dos benefícios gerais desta democracia? Expliquem e eduquem estes pobres iletrados de quem se aproveitam há quase 40 anos! É tempo bastante para umas quase memórias.

 

domingo, 10 de abril de 2011

Haverá resgate?

Resgate. É um termo apropriado. É-se resgatado em circunstâncias de total perda de liberdade: sequestro, rapto, enfim, situações pouco "saudáveis". O País pediu finalmente para ser resgatado pela UE ( Fundo de Estabilização), o que implica também dinheiros do FMI, como é sabido. Mas, o que mais espanta é a lata de quem nos governa: passam do não para o sim em dias, melhor, em horas. E assim tem de ser por culpa dos outros. Ah! pois, se não fossem os outros estaríamos nós bem. E repetem, repetem até à saciedade, porque quando bem orquestrada, a propaganda faz germinar qualquer banalidade, por muito falsa e imbecil que seja. A democracia é sempre ou quase sempre pouco eficaz. Mas é um caminho rápido para as piores tiranias quando manietada pela propaganda, em terreno de iliteracia. Estão sempre muito próximos estes conceitos. A iliteracia é o terreno predilecto e muito fértil da má propaganda. O Congresso do PS, pelo muito pouco mas já bastante que ouvi, continua a ser a máquina orquestrada da propaganda e da desfaçatez do senhor "engenhêro".
A meteorologia falhou parcialmente. Valha-nos isso. A manhã está ventosa e fria mas clara. Não choveu, nem parece que venha a acontecer hoje, como chegou a ser anunciado. A primavera instala-se, os rebentos espreitam e verdejam as primeiras parras. A vida, em suma, abre fileiras no meio da desolação. A pior delas é a causada pelos terramotos no Japão. Sim, houve mais um. E também este parece ter atingido uma central nuclear, se bem que com menor intensidade.
O nuclear não terá argumentos válidos tão cedo, se bem me parece.


segunda-feira, 28 de março de 2011

Três comentários envergonhados

Há 15 dias que aqui não deixava um só suspiro. Sim, porque os tempos nada mais motivam ou estimulam.  A semana passada, contudo, foi pejada de acontecimentos que merecem um comentário, por mais pequeno que seja.
1- Demitiu-se o primeiro- ministro, na sequência da não aprovação de mais um PEC ( o 4º); O último era sempre suficiente, na boca do Governo, nas medidas de austeridade propostas.  Dois meses mais tarde, verificamos que até as previsões económicas do Orçamento descem de um crescimento modesto para um decréscimo do PIB de 0,9%. Em que já ninguém pode acreditar. Será seguramente maior, visto que esta última"previsão" terá sido forçada pelos  economistas comunitários e do BCE, justificando, naturalmente, mais medidas de austeridade. Como não podia deixar de ser,  Sócrates demitiu-se culpando a oposição e os próprios portugueses de serem os verdadeiros responsáveis pelo caos económico e financeiro em que o País se encontra e de nem sequer deixarem o governo tomar as medidas que patrioticamente Bruxelas havia já aceitado, sem que em Portugal fossem conhecidas. José Sócrates consegue quebrar todos os limites da demagogia e da retórica barata! Impunemente, porque acaba de ser reeleito secretário-geral do PS com mais de 90% dos votos. Declaração de interesses: já pertenci ao PS. Foi mesmo o único partido a que pertenci. Curei-me há muitos anos, felizmente.
Parece que haverá eleições legislativas no princípio de Maio. Que irá sairdestas eleições? Tenho receio de que as minhas convicções democráticas sofram mais um abalo.
2- No meio da crise nacional, o Sporting tentou eleger uma direcção. Houve violência e, segundo um dos candidatos, terá havido também "batota", visto que vai impugnar as eleições. Foi a notícia mais importante, com que abriram os telejornais de Domingo. Tal facto, comum, aliás, diz bem da alienação que o futebol representa em Portugal. Diz bem da incapacidade de escalonar prioridades por parte dos responsáveis dos nossos meios de comunicação social. Não defendo qualquer tipo de elitismo e sei bem que o desporto e o futebol, em particular, é um fenómeno social  importante. Mas, uma atitude responsável dos directores de informação não pode permitir que o futebol de um clube, seja ele qual for, se torne socialmente mais relevante do que as consequências dramáticas que os portugueses sofrem a todos os níveis do débil tecido social; que se torne prioritário relativamente à guerra no Líbano e à compreensão do que ali se passa; à informação sobre o Japão, Fukushima e a ameaça de contaminação nuclear, etc, etc.
3- A propósito do Líbano: todos nós - ao que julgo - gostaríamos de ver o Senhor Kadhafi apeado. Mas, a intervenção dos Estados Unidos, da França, do UK e da Nato foi decidida tão rapidamente que contrasta fortemente com as grandes críticas - e merecidas - que antecederam e se seguiram à invasão do Iraque e até do Afganistão. Considerando o argumento mais propalado no 1º caso ( o petróleo), apetece perguntar: será que o petróleo líbio tem mais octanas do que o petróleo iraquiano? Ou será que o Presidente Obama tem um discurso mais persuasivo do que George Bush? A verdade, se estamos lembrados, é que o avanço dos Norte-Americanos no Iraque foi forçado pela atitude acobardada da França, entre outros. Nessa atitude, de interesses feita, como a do lado oposto também seria, confiou um louco. E por isso manteve aquele ar de desafio inolerável para o Ocidente, em minha opinião. Que não deixava outra saída senão a invasão.
 Ao que se soube, eram empresas francesas aquelas que mais contratos detinham na exploração do petróleo no Iraque de Sadam. Enfim, a política internacional, tal como a da paróquia, é um lodaçal.
4 - Dois únicos aspectos positivos me ocorrem: o Padre Santos, pároco da Boa-Fé e de S. Sebastião da Giesteira, mesmo doente, ao que a Céu diz e eu pude constatar, continua a dedicar a vida aos seus paroquinos e ao próximo com a determinação de sempre. Bem haja, Senhor Padre. Até eu o respeito ao ponto de dizer com prazer o belo poema que é o Pai Nosso na sua capelinha da Boa-Fé.
O segundo ponto positivo é a constatação da capacidade de sofrimento, o comportamento comunitário exemplar e a determinação dos Japoneses ( incluindo Governantes), considerando a tragédia que os afectou e as informações e imagens que nos chegam.

domingo, 13 de março de 2011

Desabafos breves

Domingo, 13 de Março. Um dia cinzento e triste no Alentejo. Em sintonia com as notícias internacionais e nacionais.Ante-ontem foi o brutal terramoto no Japão, seguido do Tsunami. Ficámos a saber que este País será aquele que melhor preparado está para estas catástrofes naturais. Ainda assim, as consequências parecem terríveis, em perda de vidas, designadamente. Mas, as más notícias abrangem agora também a explosão na central nuclear de Fukushima e a necessária evacuação de dezenas ou centenas de milhares de pessoas. Esperemos que os técnicos deste povo empreendedor e responsável consigam controlar esta gravíssima consequência do terramoto.
Claro que se levanta, uma vez mais, e com toda a razão, o problema da segurança e dos riscos elevados da opção nuclear, enquanto meio de produção de energia. A técnica, por apurada que seja, nunca conseguirá evitar os imprevistos e a força dos fenómenos naturais mais extremos. Tal como o Homem, de resto. Não passamos de um instante fugaz perante o Universo e a natureza perene. Na perspectiva humana, é indiscutivelmente perene e poderosa a natureza.
 Por cá, mais medidas de austeridade anunciadas, como moeda de troca para o apoio da Europa. As declarações nuancés, de governantes estrangeiros, já nem conseguem enganar. É espantoso. A "verdade" dos governantes portugueses muda mais depressa do que o vento. Misturam bons desempenhos económicos ( coisa que há mais de uma década não existe) com medidas de austeridade imprescindíveis para combater o défice, cumprir compromissos assumidos, enfim, tudo o que lhes vem à cabeça. Só não assumem a sua completa e inexplicável incompetência, convencidos que estão que a retórica medíocre de que sistematicamente se valem continuará a enganar tudo e todos.
  Em boa verdade o que mais custa, o que mais dói, nesta espécie de democracia, é a flagrante desigualdade. A destruição da classe média; o empobrecimento dramático e economicamente acéfalo dos mais carenciados e o enriquecimento de todos quantos vivem à custa do Estado e daqueles cujos negócios estão fora das regras duras do mercado: comunicações, energia, banca, etc. etc. Quem não vê que isto traduz a destruição do mercado interno e que só o sector exportador jamais será panaceia para a reconstrução da nossa capacidade produtiva é ignorante e indigno de ocupar cargos de chefia no Estado, onde é suposto estar quem privilegie o bem comum. As mordomias dos titulares de cargos públicos e de todos os boys bem "arrumados" à custa do cartão do partido, com total indiferença pela competência e pelo trabalho, são um escândalo intolerável. Por isso o País, mesmo os mais comodistas, bateram palmas, ontem, às manifestações da chamada geração à rasca. Que parece ter ultrapassado as expectativas, sobretudo em Lisboa e no Porto. 
 Talvez estejamos perante o início do tal sobressalto cívico  de que falou o Presidente da República. Se isto significar finalmente a recusa da sociedade civil em manter-se conformada com este estado de coisas, que venha o sobressalto o mais rapidamente possível.