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terça-feira, 22 de julho de 2014

DDT- pois claro.

Antes da borrasca, abordei muitas vezes questões relacionadas com ele e com outros "figurões" da mesma indústria financeira. Modéstia à parte, não me surpreenderam os acontecimentos. Várias entradas neste blog, já com anos, destacam particularmente os bacocos que pressupostamente todos nós temos sido e continuamos a ser nas expressões, alarves ou subtis, mas sempre decorrentes da inteligência genial dos figurões. Não me surpreendeu a borrasca, repito. Nem me surpreenderam as dezenas ou centenas de escrevinhadores que há semanas enchem o saco dos pobres leitores com a crise do GES/BES. Grande parte deles à espera de mais umas migalhas. Não desprezíveis, evidentemente. Bom, é inabilidade minha. O BES está óptimo. O GES é que está insolvente. Todos o dizem. Todos o proclamam. Pois claro. Veremos de que forma os Portugueses pagarão, uma vez mais, a conta obscena para evitar riscos sistémicos. Pudor, é uma coisa que se perdeu há muitos anos neste jardim. Parece que era e continuará a ser conhecido por DDT ( dono disto tudo). Belo nome. Com propriedade, teremos de admitir. Esta aprendi-a agora. Pudera. Nunca tive acesso a esses corredores. Quantos ex-tudo ( ministros, secretários, deputados, directores, subdirectores, porteiros, jardineiros, engraxadores e tanti quanti) não beneficiaram de favores do mencionado DDT? Já regressou do exílio há muitas décadas! Regressaram todos! Há décadas que vivem na maior promiscuidade com os detentores do poder político. Com todos. O Senhor DDT, os Jardins, os Oliveiras, etc, etc. Sejamos justos: é tudo pessoal de toque fino, vivendo de prebendas. Vivendo? Mas a sério. Engordando, luxuriando. O país é o seu pequeno, pequeníssimo quintal. E eles são os Cucos. E nós as marionetas, pois então. E eles sabem-no. E todos nós o sabemos. Para quê mais novelos retóricos se a realidade acabará por se impor inexoravelmente? Consulto a Wikipédia porque há sempre algo a aprender nos becos mais obscenos e grotescos. E aprendi. O DDT foi o pesticida mais usado até à década de 60. Chama-se -imaginem - dicloro-difenil-tricloroetano. E foi sintetizado, em 1939 por Paul Herman Muller. Alemão, provavelmente. Só poderia ser. Caíu em desgraça pelos danos ambientais denunciados por uma Senhora Rachel Carson, no livro Silent Spring. Os danos ambientais eram muito graves. Particularmente nos lençóis freáticos. Apesar de o DDT estar proibido em mais de oito dezenas de países, continua a ser utilizado eficazmente no combate a doenças como a malária. Podem crer que o nosso DDT também continuará a ser eficazmente utilizado. Pelos milhões acautelados, seguramente. Mas também porque poucos ou nenhuns sabem usar tão bem o tráfico de influências. Diz-se que até esteve no edifício do Conselho de Ministros, com este a funcionar. Que sorte e que consideração. Poderia ter mandado só uns recadinhos porque seria obedecido de igual forma. Como sempre foi. Em Portugal, a primeira preocupação de qualquer político é assegurar a retirada. Expressão bonita para dizer que, admitindo a sua não reeleição, o patrão a quem agradou ou fez favores dar-lhe-á o tacho conveniente e bem oleado. Em regra, é bem melhor oleado do que o tacho público que ocupou. Que ninguém se ria. Ou que todos se riam. O DDT empregou de tudo. Garanto que desde o CDS ao PCP e BE todos lhe devem favores. AH! Ocorreu-me agora. Até o rapaz da UGT lhe comunicou e foi por ele autorizado a dirigir essa estrutura importantíssima dos trabalhadores. Com grande gáudio e orgulho do chefe DDT, claro está. É a vida, diria a Guterres. Que agora é requisitado para a Presidência da República. Da quê? Bom. Sejamos comedidos.Esta linhas são sobre pesticidas. também conhecidos por praguicidas. E há muitas espécies. As que me dão particular gozo são conhecidas por nematicidas. De nematoides, ou seja, vermes. Pois então. Os nematicidas são os praguicidas indicados para os vermes. Um toque de história, para terminar, também agarrado da Wikipedia, claro está. Parece que há muitos milhares de anos que os pesticidas são usados pelo ser humano para preservar as suas culturas (!) Pelo menos desde 500 AC. No sec. XV terão sido usados produtos à base de arsénio e de mercúrio. E no sec. XVII, terá estado na moda o sulfato de nicotina. Também esta vai sendo proibida a cada passo, como sabemos. E os efeitos colaterais? Sabe-se pouco disso. Não há registos históricos. E os que há não são fidedignos. Exactamente o mesmo que daqui a 50 anos se dirá da crise de génios que agora emergem do saco e dos pandeiros do GES/BES. Vai uma aposta?


terça-feira, 1 de julho de 2014

Notas incertas e...requentadas

Há meses que nada escrevinhava nas marionetas. logo, houve apenas "ganho de causa". Mas tantas coisas têm acontecido que talvez valha a pena lambuzar duas ou três penadas. Foram as eleições europeias. A 25 de Maio. Caramba. Ainda me lembro. A sensação foi a eleição do Marinho Pinto, ex-bastonário da OA e de um outro candidato do MPT  ( Partido da Terra, imaginem). A segunda sensação consistiu na crise do pequeno vencedor (PS) apesar da derrota bem pronunciada da rapaziada no poder (PSD e CDS). A paulada foi tal que a rapaziada ficou abaixo dos 29%. Mas o PS, de modo não inesperado, perfilou-se para contestar o António José ( pouco) Seguro. Foi o Costa da CMLisboa quem lançou o repto. O Costa! Que se encolheu inúmeras vezes, vislumbra agora como inevitável um poleiro mais alto. Por pouco que faça. Por pouco que valha. Com grandes apoios nos fundadores do PS & Cª. É bem do PS. A insídia e o despeito está-lhes no sangue. Mas não é exclusivo. Caracteriza o país. Por muito que nos custe, esta é a verdade. O país tornou-se despeitado, medíocre, insidioso.
A Ucrânia tem estado a ferro e fogo. Pelo menos a chamada parte oriental, com destaque para a Crimeia, que votou esmagadoramente pelo "regresso" à mãe Rússia. O movimento contaminou outras regiões do Leste. Os USA e a UE que auxiliaram e rejubilaram com as manifestações e a paulada na praça de Kiev contra o anterior governo, ( que os revolucionários de direita conseguiram depor) entendem curiosamente que as outras rebeldias são ilegítimas. E auxiliam o uso da força por parte daqueles que nem eleitos foram. Rectificação: o presidente, dito Poroschenko (?) foi eleito por alguns no meio da trapaça. Nunca julguei que um dia poderia dar razão ao Putin, cujo nome me parece adequado à personagem. Mas este enredo da Ucrânia revela como o Ocidente está a ser governado por patetas, sem visão, sem estofo e sem valores. Os auxílios que o mesmo Ocidente prestou aos rebeldes Sírios, já serviram para criar um Califado que envolve parte da Síria e do Iraque. Toma. É o ISIS. Parece que controlo já a maioria das cidades iraquianas.
Vamos à bola. Não vamos porque o campeonato do mundo é no Brasil. Longe p'ra burro. Sendo que os rapazes milionários que deveriam ter representado o país já regressaram. Saíram aos primeiros rounds: com uma vitória suada sobre o Gana, um empate em cima da hora com os USA e uma derrota estrondosa com a Alemanha. Mas o Bento, que disso tem pouco, de nada se arrepende. Não fosse ele já Bento. E não se demite. Pudera. Onde ganharia como na FPF? Com as condições que, seguramente, lhe são aí garantidas? Ninguém se demite nesta terra. São brandos os nossos costumes. Um pouco mais do que brandos. Têm já o sinete  da resignação que a todos tolhe.
Agora é o BES e respectivo grupo. Escrevo no dia em que foram suspensas pela CMVM quaisquer operações ( compras e vendas) sobre os títulos da holding familiar e do próprio banco. Já o disse há muito tempo neste blog. Há muitos anos que não se conhece um negócio sujo, em Portugal e não só, uma negociata choruda que envolva trafico de influências ou corrupção, onde o BES ou uma empresa a ele ligada não esteja envolvida. O Senhor Salgado sempre que dizia e que diz algo para português ouvir nem se coibia nem coibe de nos tratar como imbecis. Que somos. Imagine-se que acabo de ler o seguinte: o PCP pede uma intervenção no BES, ainda que seja a nacionalização. Fico estupefacto. Depois de tudo isto, o PCP ainda quer dar dinheiro aos accionistas do BES. Arre porra que não aprendem. Melhor. Se calhar até aprendem bem. É assim que eles querem. Atrás do BPN, do BPP, do BANIF, etc. etc. só faltava vir o BES e pedir-se ao Zé que pague, uma vez mais. E lá vamos, cantando e rindo. Os bajuladores do costume, altamente maioritários entre nós, já escreveram milhares de páginas em todos os pasquins sobre a zanga dos primos Ricciardi e Salgado. E com "zangas" nos ficamos! Espero bem que não sejamos tão patetas que consigamos dar-lhes "lucro" com as zangas. Que não obtenham lucro com mais uma zanga. Por favor.

sexta-feira, 7 de março de 2014

O bom, o mau e o vilão ( -quase-)




No permanente faz de conta em que o país se transformou, os senhores agentes das forças policiais decidiram manifestar-se. Não é a primeira vez, como sabemos. E também sabemos que não há duas sem três. Estão indignados, os senhores guardas, agentes, tanti quanti. Longe de mim criticar esta indignação. Mas têm voz! E os pobres dos cidadãos que deveriam estar indignados e não têm voz? E aqueles que levam cacetadas destes manifestantes quando querem, por sua vez, manifestar a sua indignação? À porta do Parlamento ou em qualquer outro lado menos nobre. Todos os outros cidadãos portugueses  que não são o poder, como podia ler-se nos cartazes e ouvir-se nas palavras de ordem, terão direito à indignação e a manifestar-se? Serão os cordões policiais tão tolerantes e amistosos como foram com os seus camaradas de armas? Sim, sim, porque houve cenas bonitas e ternurentas entre manifestantes e defensores da legalidade Desta feita, não houve falta de meios humanos e materiais. Como sempre há. ou se ouve dizer que há. Desta vez houve apenas a indignação de quem é o poder contra quem ocupa o poder. Com esbulho violento seguramente. Enfim, será sempre um poder usurpado. Há anos que ninguém neles vota, após as eleições, como todos sabemos. Depois dos votos contados. Bonito, bonito, é ler e ouvir os Senhores Ministros fazendo de justiceiros (o eterno faz de conta) que não passa deuma peça de teatro muito má. Ele foi o da administração interna. Ele foi o da segurança. E se mais houvera ( na grande área) mais diriam, claro está. Os sacrifícios são para todos. Ninguém pode estar fora dos sacrifícios. Será? Eles, ministros, também sofreram cortes nos vencimentos? Eles, ministros, também poupam nos gabinetes, nos carros, na luz e na electricidade? Claro que sim. Somos um povo (?) de crentes. Tão crentes, tão crentes, que até cremos que o país está melhor, mas as pessoas, ah! as pessoas, essas, estão pior. O País está melhor porque este ano choveu bem. E a água é indispensável para a lavoura, pois claro. Ainda que o contribuinte pague o couro e o cabelo pela água que consome, também em virtude das concessões brilhantes, como tantos outros contratos elaborados sempre, sempre tendo em vista o interesse público, pois claro: os swaps, as ppp, tantos e tantos que é simplesmente cansativo nomeá-los uma vez mais.

Mas nada disto é importante. Viva a República.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Praxeneta

A entrada de hoje é a reprodução de um artigo da minha filha Joana Barrios publicado na revista do Sol desta semana Tabu, onde colabora semanalmente. Só a imagem é outra. É com orgulho que reproduzo aqui o "Praxeneta". É um orgulho para qualquer pai ter uma filha que pensa e escreve bem.

"Acredito que a pertença acrítica e submissa a um grupo hierarquizado é o maior travão ao desenvolvimento do indivíduo enquanto ser pensante ou vice versa.
Não fui de uma tuna, não andei em nenhuma escola dotada de tuna. E dou graças por isso. 
Quando começam as aulas, há desfiles degradantes de adolescentes pelas ruas de todas as cidades que tiverem estabelecimentos de ensino superior, enquanto entoam cânticos absurdos, e bebem zurrapas de garrafas indistintas ou cerveja choca em copo de plástico.  As pessoas normalmente queixam-se do barulho que fazem estes desfiles e não do que neles está implícito. Os jovens que se costumam encontrar nestes preparos são sempre comandados por uns mais velhinhos, que demoram uma eternidade a tirar o curso, mas que no ambiente académico não parecem ter nada de errado.
Como não conheço nenhum elemento de nenhuma tuna, a minha opinião acerca desses ajuntamentos foi sempre negativa. Depois... Tudo aquilo que se ouve e lê, também não abona muito a favor dessas pessoas e/ou práticas e tudo piora um pouco.
Este ano lectivo a coisa correu muito, muito mal, e o que parecia ser apenas uma manifestação sazonal preocupante e socialmente tolerada de acefalia generalizada, incubável até às primeiras avaliações do ensino superior, assumiu contornos macabros. Não páram de surgir notícias sobre o assunto Meco com detalhes cada vez mais escabrosos acerca do que se terá passado na noite em que os seis caloiros foram arrastados pelo mar enquanto se submetiam às indicações de um Dux que continua em silêncio.
Infelizmente a sociedade não prepara os seus jovens para o exercício de juízo crítico. Quer seja na escola ou em casa, a infantilização e desresponsabilização dos jovens é uma realidade praticada por adultos superprotectores e por um sistema ao qual dá muito jeito que sejamos jovens (não pensantes) até mais tarde. A importância de usar a cabeça para pensar. De treinar cérebros que ainda não estão em fuga, não ter expressão. É pena.
Carneirada. Ou pertencer.
É tudo muito mais fácil quando se pertence seja ao que for (e para os puristas, sim, pertence-se sempre a alguma coisa).
Pertencer significa que há certas coisas que não vamos ter de fazer ou viver sozinhos (e é real: também ninguém ensina a estar sozinho), porque vai haver sempre uma estrutura solidária que ampara quedas. O crescimento conduz ao afastamento natural (e a um certo desprezo) do núcleo familiar e à construção de uma rede social própria, à medida do que somos. Essa rede pode definir-se por regime alimentar, estilo de música, profissão, desporto... E é extremamente importante encontrar pessoas que gostem das mesmas coisas, que falem a mesma língua, que funcionem como mentores extra-familiares. Nessas estruturas, há amigos. E há amizade e lealdade e consciência.
Se a adolescência é eterna e afinal ninguém se preocupa muito em ensinar a pensar, então isto vai continuar a correr mal. E não é a proibição nem a distanciação estética da morfologia trágica do traje, nem o medo imposto por acidentes anteriores que vai resolver esta questão cada vez mais polémica das praxes.
Era só treinar o cérebro para que fosse muito fácil discernir que obedecer às ordens de uma pessoa que anda a tirar um curso há duas décadas não deve ser lá grande charuto, ou que, mais que não seja, beber vinho mau dá ressacas ainda piores ou que a música das festas académicas é um lixo!?!
Se em qualquer tribo, os rituais de iniciação são acompanhados, sérios, respeitáveis, construtivos e implicam uma espécie de crescimento, porque é que nesta tribo das capas pretas, é tão comum a taxa de insucesso? 


Joana Barrios 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Rituais conformadores

No fim de semana passado teve lugar mais um Congresso do CDS/PP. Não teve grande cobertura noticiosa, apesar de se tratar da pomposamente chamada reunião magna de um dos partidos do governo. Ao jeito da mediocridade que polui irremediavelmente os meios de comunicação social, o que de mais interessante haveria a esperar deste congresso seria a explicação do seu Presidente Paulo Portas ( também vice-primeiro ministro) a respeito da "irrevogável demissão" e consequente crise de governo que protagonizou no verão passado. Assim, pelas expectativas dos Senhores Jornalistas, a coisa poderia bem ter ocorrido num simpático bar lisboeta, bebericando um gin tónico ou outra qualquer beberagem momentaneamente mais in. Ficámos a saber que a oposição interna ao reeleito PP, valerá aí uns 17%, que o Pires de Lima ( ministro tão aguardado como até agora perfeitamente ineficaz ou melhor, inócuo) entende que o seu PP ( sim, dele) é um bom candidato a Belém e que o Nuno Melo ( mais um génio de vocação europeia, como muita da tralha que por cá temos) deseja que o seu PP ( sim, dele) se mantenha por muitos anos à frente do partido. Esquecendo a lisonja que determinou estas e outras declarações, é evidente que as citadas são contraditórias! Ainda não é possível ir para Belém e continuar à frente do partido. Ainda não? Pelo menos formalmente. Mas é um bom lugar para fundar partidos, como fez o Eanes; é um bom lugar para chefiar a oposição aos governos, como fez o Mário Soares; é um bom lugar para proteger o seu partido, como fez o Sampaio e, segundo alguns, também o Cavaco. Por mim, acho que o Cavaco não fez nem desfez, não faz nem desfaz, não fará nem desfará. É um bugalho vazio, corrompido pela traça e sem utilidade. Mas enfim. Tudo isto para dizer que esta mistificação democrática que por cá, alegre ( arrenego...) e resignadamente vamos vivendo, precisa destes rituais conformadores como de pão para a boca. As marionetas deslocam-se de quando em vez a um pavilhão para ouvir o tão esperado discurso do lieder, perdida ou não já a esperança de lhe oferecerem um lugarito no conselho nacional, na comissão nacional, executiva ou homólogos. Claro que a deslocação vale a pena: sempre se vêem uns influentes. Pode acontecer que amanhã se venha a lembrar da careta pedonal e esperançosa. As palavras são como as cerejas. Afinal, porque será conformador o ritual? Porque todos os partidos e confrarias precisam de criar a ilusão de que os súbditos mandam. E quem exerce o poder, o faz estoicamente em nome dos súbditos, ainda que espoliados, pois claro. É assim em todo o lado. Mas há lugares onde os rituais são bem encenados, chegando a ilusão a atingir uma para-realidade interessante. Digna de reflexão, pelo menos. Próxima do mundo das ideias de Karl Popper. Não igual, convenhamos. Próxima. Mas outros...é confrangedor. Quem acreditará nos constantes e patéticos rituais da monarquia hereditária da Coreia do Norte? Ou nas percentagens eleitorais do país do Fidel & Irmão, sociedade em Comandita? E tantos, tantos outros. Os exemplos são apenas extremos patéticos. Por que a mediania está nos rituais que por cá vamos vivendo. Alegre (arrenego) e resignadamente. Qual será o segredo ou explicação que lá mais para a frente, todos nós ansiosamente esperaremos do Passos, também dito Coelho? E primeiro ministro, é bom não esquecer. Porque o respeitinho é essencial a todos os rituais. Seja de touca, seja de avental. Ambos os "acessórios" têm excelentes yields. Retorno, para os menos informados, pois então.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

bottões salgados mas ulrichos

Basta! Não há paciência para tanta demagogia. Não há paciência para esta retórica barata dos bottons, salgados, ulrichs e tanti quanti. Há meses, há anos ( desde 2010, pelo menos) que qualquer pessoa minimamente informada sabe e entende que os banqueiros portugueses não precisam de clientes, porque têm contribuintes. Isto é: vão buscar dinheiro ao BCE a juros muito baixos e compram dívida pública pela qual recebem juros de 6, 7% e mais, como é sabido. Por isso, não financiam as empresas. São financiados pelos contribuintes. Quer no dia a dia, quer em operações vergonhosamente dirigidas a isso, como aconteceu há dois anos com todos, excepto com o Bes, que preferiu utilizar, como gosta de fazer, a engenharia financeira possibilitada pelas variadíssimas empresas do grupo e que também foi denunciada recentemente pela Wall Street. Assim sendo, porque teimam os bottons e similares em insultar-nos dizendo que a afirmação ( tardia) do Senhor Draghi - até essa - é incorrecta?  Porque teimam em chamar-nos estúpidos, cretinos e ignorantes, como se fossemos réplicas da imagem matinal que nascísicamente vislumbram em espelhos dourados? O DN publica a "exposição" ( eles adoram este termo) de 3 bancos nacionais à enorme dívida pública nacional. Enquanto credores, "aprisionam" muito mais facilmente o poder político aparentemente - só aparentemente - democrático. São génios, verdadeiros génios, estes figurões que teimam em tratar-nos como ignorantes. Mas não há dívida pública que lhes valha, quando isto ruir, como está, aliás, a suceder. Os prejuízos, mesmo num negócio que em portugal é obsceno por falta ou por incapacidade do regulador e do poder político, é difícil entender como pode haver prejuízos. Tantos prejuízos. Mas haverá mais. E continuarão a pedir aos contribuintes que exploram com taxas de juros vergonhosas, para os capitalizarem: leia-se: para lhes emprestarmos dinheiro a 1/10 daquilo que nos pedem quando se dispõem arrogantemente a emprestar-nos uns tostões - perdão - uns cêntimos. E há imbecis que afirmam - não está na imagem, porque ficou fora do espaço digitalizado - há imbecis que dizem que as empresas evitam o crédito. Não há paciência. A maldosa "ignorância" destes cabotinos faz perder a paciência a qualquer cristão. Por isso só há uma forma de exprimir esta enorme indignação: pata que os lambeu.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Ao que isto chegou!

O DN de hoje ( 14/11/2013) "noticia" em 1ª página mais um ou vários arquivamentos (de inquéritos) onde estariam implicados altos responsáveis angolanos. Este fadário tem-se repetido desde que o presidente da república daquele país africano ( ex-colónia portuguesa) disse claramente no chamado discurso do estado da Nação que terminara ou deixara de fazer sentido a parceria estratégica  com Portugal. Como é sabido, pouco tempo antes, esse génio da diplomacia e não só, que é agora Ministro dos Negócios Estrangeiros e influente político e advogado, de seu nome Rui Machete, esse génio, dizíamos tinha pedido desculpas a Angola pela existência de processos onde eram suspeitos, arguidos, ou simplesmente referidos os tais altos responsáveis angolanos. E insinuou que a Senhora Procuradora Geral ou alguém por ela, lhe terá garantido que nada de relevante existia na justiça portuguesa contra gente importante e rica de Angola. Esta desmentiu de imediato. Mas passou a arquivar inquéritos mesmo os que já estavam arquivados há dois meses... Perdão. Alguém arquivou, sem que saibamos por quê e inspirados em quê. Desta vez, parece que o Senhor Procurador adjunto - ao que intuímos - terá mesmo referido que o arquivamento talvez contribuísse para apaziguar as relações entre Portugal e Angola. Espantoso. Não contribui. Portugal é hoje simplesmente a lavandaria de Angola - como alguém disse - e eu acrescento, a lavandaria e a sanita. Agora fica claro, mais claro, que o motivo pelo qual a Justiça se move em Portugal é Político. Logo, nada tem a ver com a Justiça. A Justiça é um faz de conta. Junta-se assim alegremente a todos os restantes sectores da administração da res publica. Agora tudo é uma palhaçada - pior, um mero faz de conta - neste país de obscenas indignidades. Por isso não há corruptos condenados. Por isso não tráfico de influências. Por isso os banqueiros fazem o que lhes dá na gana, e têm direito a parangonas de jornais, por mais imbecilidades que debitem e por mais empréstimos que peçam aos contribuintes  para se capitalizarem, ao mesmo tempo que negam pequenos empréstimos às famílias e às empresas, ou seja, aos contribuintes que os "capitalizaram". Não há explicação para o que se passa em portugal. São tantas, tantas e tão frequentes que estamos legitimamente cansados de tanta indignidade. A dívida pública é grande, é gigantesca. Julgo que jamais seremos capazes de a pagar com a capacidade que temos de produzir, ou seja ,de gerar riqueza. O défice continuará a aumentá-la, porque se durante anos as despesas públicas foram o descalabro, a verdade é que a "vaidade" continua e continuará em todo o aparelho do Estado, sobretudo da parte dos mamões que não abdicam dos seus inúmeros e intoleráveis privilégios. Basta olhar. Todos os dias, esta obscena falta de contenção se passeia arrogantemente diante de todos nós.
Mas, o grande problema nacional não é a dívida nem é o défice. É a falta de dignidade.Foi e é a constante alienação de valores. Nada nos resta de autêntico, de realmente valioso. Valem hoje  e tão só - o  chico-espertismo, a possibilidade, fortuita ou não, de influenciar decisões, a "partidarite" conivente, o jeitinho para tirar proveito de tudo o que é coisa pública, etc. etc.. Numa palavra, o nosso grande problema é a indignidade que consome a sociedade portuguesa. Já nem conseguimos reagir aos milhares de casos que documentam essa indignidade: por inutilidade superveniente, por cansaço. Que lástima. 

sábado, 28 de setembro de 2013

AMANHÃ VAMOS A VOTOS!


 Pois é. Amanhã há eleições. temos de aproveitar. É só de 4 em 4 anos. Mesmo para aqueles que são distraídos, tem havido coisas muito divertidas. Com aparência seriíssima. Uma lei que limitava a 3 - já com excepções - os mandatos dos autarcas foi inutilizada pelos Senhores Juízes do Tribunal Constitucional. Como sabemos. Foi um apoio essencial para continuar esta mistificação dita democrática. E como eles gostam: os ditos autarcas. Ninguém se demite e até ameaçam como o antigo Presidente de Gaia que seria presidente directa ou indirectamente. O homem tinha toda a razão, como se viu. Como candidato, foi confirmadíssimo pelos Senhores Conselheiros que, por acaso, estão sempre à beira da reforma. E não é por vetustez.
Amanhã há eleições. Vamos todos votar. Na "tasca" onde almoço há açorda alentejana. Não é em Coina. nem em Picha. Escusam de aguçar o dente. Quem diria que os Municípios e as Freguesias oferecem lugares tão apetecíveis. Há quem se pele por manter ou conquistar o lugar. Como esta campanha - e todas as que a precederam - demonstraram à saciedade. As responsabilidades são poucas e ninguém as pede. O poder- ainda que pequeno - faz bem ao ego. Com pequenos abusos à mistura predispõe à corrupção, ao nepotismo, ao jogo de influências. Que diabo. Afinal é só o dinheiro público que está em questão. e que gira em mais uma rotunda. Nada de muito relevante. A democracia, como é sabido, é só o pior dos regimes depois de todos os outros. Churchill foi genial e a frase é simplesmente incontroversa. Tudo isto é conversa fiada. e despeito de quem não tem um "tachinho" com cartanito partidário - de preferência - ou como independente. Mas esses não dão muita saúde à referida democracia. A que, paulatinamente, se foi acantonando neste canto ocidental da Europa, através de compadrios, amizades e muita muita corrupção é uma mistificação sem remendo que lhe valha. Quod erat demonstrandum. Que importa isso? Amanhã há eleições. Bolas, bolas, temos de aproveitar. Destas, só daqui a 4 anos. Toma lá que já almoçaste.


domingo, 14 de julho de 2013

Gira, gira dobadoira

O Senhor Presidente fez-se anunciar e falou. Agastado, mas falou. O que disse? Ninguém sabe. Ou não fosse Presidente. Os indefectíveis dizem saber. Boa ideia com um contra, um probleminha, (Com AO). Como tem uma ideia minimalista dos seus poderes constitucionais,  decidiu alterar a constituição: o governo deixou de ter um mandato de 4 anos e passou a ter um de 3. Haverá eleições em Julho de 2014: no pós-troika, que é a sua consabida obsessão. Que importa a troika? Tudo o que agora se passa não importa para nada. o que importa é o pós-troika. Como a economia sofre sempre com actos eleitorais e sobretudo com o tempo que as eleições requerem -os mercados que o digam - então marcamo-las com um ano de antecedência. Agora, não pode haver eleições. Mas podemos marcá-las para daqui a 1 ano. Sempre é maior a campanha eleitoral. Mais. Os lideres partidários que se entendam, porque este ponto deve constar do acordo a três. A três porque é a conta que Deus fez. Claro está, branco é, galinha o pôs. (Sem AO). Ora essa. Gira, dobadoira, gira. E não enrices a meada. Uma demissão desgraçadamente atrasada 8 meses - ao que dizem -. Uma outra irrevogável, mas que não foi aceite e por isso mesmo o puto da esquina pôde revogar logo a seguir. Uma posse pelo meio na sombra dos swaps. Que lindo, que luxo. Que democracia invejável. Seguramente - até tenho medo deste advérbio, não vá o adverbiado zangar-se -que o novo grito democrático de expressão mundial será este mesmo: também queremos um presidente assim. Será palhaço? Não será palhaço? Isso é matéria muito importante. Por isso fica ao cuidado do ministério público decidir o enredo. Mas que falou, isso falou. O que disse? Ninguém sabe. Nada disse sobre o acordo existente. Mas disse que tinha de haver um acordo inexistente. Gira, gira, dobadoira.  Até porque era só o que faltava. Somar a uma crise económica, uma crise política. Há aqui um erro de paralaxe. Velho, muito velho. A crise politica, a crise da mediocridade dos políticos que há décadas desfilam no circo nacional, é aquela que tem causado todas as outras. Os palhaços e alimárias várias não são apenas aqueles que hoje ocupam a arena. São todos os que a ocuparam durante as últimas décadas. Mas que agora tecem comentários doutos. Tudo é douto, entre nós, pois claro. Tão douto que até a Simone de Beauvoir conhecem. Imaginem. Gira, gira dobadoira, não enrices a meada. Tinha de falar assim, o Presidente. Em nome do País e não dos partidos. O País primeiro, pois claro. Até porque o PSD jamais aceitaria o acordo negociado agora com o CDS. Jamais aceitaria um governo em que o CDS tivesse predominância. Exactamente. Porque o que importa é o País. Não são os Partidos e muito menos as pessoas. Por isso, o Senhor Presidente nunca poderia aceitar o acordo que o Coelho fez com o Portas. Pois claro. Gira, gira dobadoira. Não me enrices a meada. Também quero. Gritam as criancinhas, por esse mundo fora, nos festivais de inovação e criatividade. à espera do prémio. Também quero um presidente assim. Tão criativo. Tão inovador que até mete raiva. Gira, gira dobadoira, não enrices a meada.  

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Espúrias irmandades, tristonhas primaveras!

Há um ano, os "sábios comentadores" deste ocidente ofuscado com as suas mistificações democráticas, viam a primavera em todos os outonos, estios e invernos agitados pelas multidões do próximo e médio oriente. Até a irmandade muçulmana e a sharia eram benvindas, no Egipto ( ou Egito?) que arredara- finalmente - um moribundo Mubarak e respectivos familiares. Os movimentos de rua sucediam-se em todo o lado. Até - graças a Deus, que não a Maomé -na Líbia de Kadafi, o amigo de Sócrates. Aqui, pior não sucederá, porventura. Mas nunca se sabe. No Egipto, os militares intervieram uma vez mais. Estiveram quietos tempo demais. Para o seu gosto, evidentemente. Parece que os seus privilégios são tais, no meio de uma sociedade desgraçadamente desigual, que estão sempre à vontade para agir em nome do povo. Como noutros quadrantes. Em nome do povo, tudo é possível. A questão central passa, pois, a ser esta: o povo! que diabo de "bicho" legitimador é este? Para os sábios que nos conformam diariamente, pelo acesso que têm aos meios de divulgação propagandística, a legitimação vem do voto. O voto. O voto. Ora agora votas tu. Ora agora voto eu. Votas tu mais eu. Votamos todos. E legitimamos deste forma todas as irmandades espúrias do planeta. Como legitimamos deste modo todas as incompetências, irresponsabilidades, corrupções e demais vícios que possam ser assacados aos "eleitos". Ser eleito é isso mesmo. Ou não será? Temos exemplos na nossa praça - antigos e recentes - de quem procura ser eleito apenas para justificar patifarias várias e até de quem, por esse meio democrático, procura impunidades. E bem sucedidos, em grande parte dos casos. Daí que o povo - o tal - já tenha aprendido a dizer: parvos são os honestos. É enorme a sabedoria popular. Sempre foi muito grande a sabedoria popular. Por isso elegeu a irmandade muçulmana no Egipto, há um ano. Por isso bateu palmas quando os militares depuseram o chefe da irmandade muçulmana, ontem. Quando lhes encerraram a televisão e prenderam os jornalistas. Quem diria? A democracia, enquanto conceito, continua um aferidor razoável. Mas é preciso entender que a democracia não é, nem se resume ao voto. Para que a democracia faça sentido, é preciso que tenha condições sociais que permitam uma escolha consciente e ponderada. Será possível? Nem sempre, é claro. Mas é possível ir criando condições para tanto. É indiscutível que as massas populares são cada vez mais susceptíveis à demagogia. O caso português é paradigmático, e justifica o insucesso das últimas décadas: a corrupção, a incompetência, a irresponsabilidade são resultado do voto popular em demagogos. Que tudo prometem para ganhar. Mas que uma vez no poder, usam-no no seu interesse e no interesse dos seus circulos, sempre com a perspectiva de assegurar a "retirada". Por isso beneficiam quem lhes pode garantir o futuro depois da " comissão de serviço". Se bem nos parece, só a educação permitirá debelar e melhorar gradualmente esta tendência popular irresistível para os reality shows e para o voyerismo. Num primeiro momento, não haverá muitas outras alternativas, senão a de uma 2ª Câmara. Um Senado, ou algo semelhante, independentemente do nome, mas cujos membros a eleger não dependessem integralmente do voto igualitário resultante apenas de uma campanha eleitoral e da segregação partidária. Esta segunda Câmara funcionaria como um "travão" para as precipitações da 1ª, ou Câmara dos representantes, como queiramos chamar-lhe. E indirectamente poderia assegurar alguma censura às irresponsabilidades dos executivos. A grande asneira que tem sido repetidamente cometida na organização do sistema educativo em Portugal, mas não só, é perspectivar esse sistema à imagem do sistema político: um poder executivo, uma assembleia, etc. A função do professor assenta na mais profunda e autêntica dádiva democrática. Dando o seu saber, o professor - todos os professores - dão tudo o que têm de melhor.  Logo, dão o poder de que dispõem. Por isso é estulto um sistema de ensino que esqueça esta realidade. Também por isso, ao que nos parece, o futuro da democracia - para quem a queira preservar - só dependerá do conhecimento e da educação dos súbditos. Que termo desgraçado. Dos contribuintes. Sim, porque é altura de os sistemas continentais repensarem o papel dos Estados. Este conceito nada esclarece. Mas ajuda a confundir. Sendo verdade que o conflito social mais importante do sec.xxi é a tensão entre o indivíduo e a organização. maxime, a dos Estado. Haverá alguém que não tenha já sido atropelado por qualquer espécie de burocracia Kafkiana?

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Macacadas

Macacadas! Não há outra palavra - melhor. haverá várias porventura mais descritivas ainda - para a irresponsabilidade dos incompetentes que, através de um sistema partidário que apela ao compadrio e à corrupção, abocanharam o País há décadas. Esta mistificação democrática oferece-nos espectáculos cada dia mais patéticos, mais absurdos, mais vergonhosos. Pobre país. Pobre povo. Tem elegido - e não foi só no último acto eleitoral - uma verdadeira cambada de corruptos, incompetentes, irresponsáveis que abalaram os alicerces do Estado- nação mais antigo da Europa. Como é fácil destruir. Até 8 séculos de história podem ser destruídos em algumas décadas: com demagogia, com imbecilidades e com incompetência. Sintetizar tudo isto é cansativo, evidentemente. A desagregação da sociedade portuguesa tem algumas correspondências em processos havidos e a haver noutros países ocidentais. Mas, como sucede com todos os patetas, temos feito questão de ir à frente. No plano interno, chega a ser doloroso ouvir os principais responsáveis por esta farsa, derreterem-se em "comentários" moralistas, como se nada tivessem a ver com o assunto. A macacada de hoje é o resultado da demissão do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas, também presidente do CDS-PP, o segundo partido da Coligação no poder. Esta demissão seguiu-se à do Ministro das Finanças Vitor Gaspar, que terá contribuído grandemente ( com a desculpa da troika) para destruir a capacidade produtiva do país. Já era pouca, é verdade. Mas a chamada austeridade  acéfala e inconsequente acabou com ela. Sem produzirmos é evidente para qualquer ignorante que não temos rendimentos, nem teremos, que permitam pagar a dívida monstruosa que deixámos acumular durante décadas. Segundo parece, Portas terá apresentado a demissão ontem de manhã. Pois bem. À tarde, e sem que nada se soubesse ( oficialmente) o presidente da república ( será?) empossava a ex-secretária de estado do tesouro ( Maria Luís Albuquerque) como a nova Ministra das Finanças. Enquanto a peça burlesca decorria em Belém, discutiam os comentadores a demissão do Paulo Portas. À noite, pouco depois das 20h00, o Senhor primeiro ministro viria dizer que não se demitia nem aceitava a demissão do ministro dos negócios estrangeiros. Espantoso, tudo isto. Verdadeiramente extraordinário. Como é possível? A latere: esta manhã, noticiava um jornal que o marido da dita Maria Luís, desempregado há uns meses, teria sido agora contratado para consultor da....EDP..., pois claro. Nunca perdem, como se vê. Entretanto, na farsa da Justiça que ( não) temos o ex-presidente do Benfica, Vale e Azevedo, foi condenado a 10 anos de prisão por apropriação de dinheiro de transferências de jogadores. Mas... a outro figurão foi perdoado o crime fiscal por ter pago um milhão e duzentos mil euros. Tudo isto é exemplar. Tudo isto é fado. Mau. Reles. Mais do que um simples fado. Um fadário insuportável.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Na Choldra, cantando e rindo.


 Ouvi ontem, estupefacto, o Senhor Primeiro Ministro afirmar - em Viena de Áustria, ao que me pareceu - que se o Tribunal Constitucional confirmar a decisão da Relação de Lisboa no sentido de "impedir" a candidatura do Dr. Fernando Seara à Câmara da Capital, então alterar-se-ía a Lei de limitação de mandatos. A tal, de que aqui já falei. Repito: ouvi, estupefacto. Mas não tenho razão. Aferindo pelas reacções da ilustríssima imprensa nacional, tais declarações parecem vulgares. O Senhor Primeiro Ministro até decidiu pronunciar-se no sentido de o entendimento dos Tribunais não estar de acordo com a vontade do legislador! Corro o risco de ficar mal visto, pois claro. Mas não resisto a dizer ao Senhor Primeiro Ministro que, em matéria de interpretação e aplicação da lei, a primeira coisa a ter em conta é o artigo 9º do Código Civil. Ora, este artigo 9º, produto de séculos de labor doutrinário e jurisprudencial, diz-nos que não é à vontade do legislador que o intérprete/ aplicador deve atender, mas sim à vontade legislativa. Que não é a mesma coisa, Senhor primeiro ministro. Ora bem, dirá o senhor: então altere-se o artigo 9º do Código Civil. É possível tudo isto? Estará mesmo a acontecer? Será que, com este poder político, ainda é possível afirmar-se que há uma democracia em Portugal? Mais; será possível afirmar-se que este pobre sítio é uma sociedade organizada com princípios e regras que não envergonhem uma pessoa razoável e comum? Será que que o Senhor Primeiro Ministro, Jornalistas e Prolixos e Sábios Comentadores da Paróquia não se apercebem que a citada afirmação traduz uma mentalidade anterior à da revolução francesa, cuja 1ª e mais importante conquista foi a de afirmar que a lei, geral e abstracta, é igual para todos? E que a organização da sociedade em Estados só faz sentido se houver separação de poderes? Já não basta nada saberem - os meninos -, nada terem feito, enquanto cidadãos a não ser a escola completa da sua juventude partidária. O País está de cócoras e arruinado. E os culpados decidem que ou as coisas são como entendem ou muda-se a lei. Um espanto. Um verdadeiro espanto. Mas o que verdadeiramente impressiona é a resignação, esta triste e dolorosa resignação de um País que D. Carlos definia como uma choldra. Com toda a razão. Como pode ver-se.


sábado, 25 de maio de 2013

É a hora...do investimento, estúpido!

Chegou a hora do investimento, diz ele. Naquele seu jeito pausado, convencido, falando para o Álvaro. A seu lado, angelicalmente. Porque poucos se dispõem a ouvi-lo. Poucos acreditam que algo de substancial possa sair dali. Mas o que significará  a hora do investimento para o Senhor Gaspar? Ninguém sabe, naturalmente. Os desígnios do Gaspar, como os do Senhor, são insondáveis. Não significará certamente que ele ( o Gaspar) irá investir em algo produtivo. Nunca o fez, que se saiba. Mas, não investindo fundos seus, poderia providenciar para que houvesse investimento público. Ninguém acredita. Para além daquilo que está programado, as receitas fiscais para pouco mais darão. Por isso, o Senhor criou um "isco": quem investir até Dezembro de 2013, terá descontos acentuados no IRC ( até 70% da colecta). Que será pago em 2014, claro.Ou não será. Que inteligente. Que medíocre. É alguma coisa, dizem. Talvez. O Senhor também saberá alguma coisa da abstracção dos números e pouco, muito pouco da realidade, das empresas, da vida, em suma. Sabe o que as empresas e os empresários queriam, Senhor Gaspar? Queriam pagar IRC. Veja bem. O que os empresários gostariam era de poder pagar IRC. Refiro-me, evidentemente às PME. Aquelas de que tanto se fala e que tão espezinhadas são. Se o Senhor não tivesse deprimido o mercado, e as empresas pudessem vender os seus produtos lucrativamente, então tudo estaria bem. As empresas pagariam salários, teriam lucros, e poderiam pagar impostos e investir. Nestas condições, até gostariam de pagar impostos. Eu sei que o Senhor não acredita. Mas é a verdade. É a verdade para a maioria absoluta dos casos. São os bancos, as seguradoras, as edps, as pt's, enfim, as grandes empresas que gravitam naquilo a que chamo "a esfera pública" ( mercado não concorrencial),  que criam offshores e utilizam todos os artifícios para fugir ao fisco. Não são as pequenas e médias empresas, Senhor Gaspar. Essas, a maioria esmagadora das criam riqueza em Portugal, gostariam apenas de não ter de esbarrar diariamente nas imbecis teias burocráticas que lhes consomem tempo e dinheiro. Que as impedem de produzir.A burocracia e a ineficiência dos serviços públicos é um entrave sério, muito sério, à melhoria da produtividade do País. Mas o Senhor Gaspar não vê isto. Desconhece isto. Porque desconhece a realidade. Porque desconhece a vida. Por isso, dentro de um ano, concluirá-ou talvez não- que não houve criação de emprego, como previra. Logo, não era a previsão que estava errada. Era o facto de os empresários portugueses quererem pagar mais impostos, menosprezando o importante desconto agora imaginado. Vejam bem. Um desconto sobre zero é zero. Uma impossibilidade aritmética. Aí está. Uma impossibilidade aritmética. Este Senhor fará com que todos tenham razão: até o Jerónimo. Mais. Até o BE e o primo Louçã. Quem aposta? Quem vai a jogo?