Pesquisar neste blogue

sábado, 14 de janeiro de 2012

Reguladores

De tempos a tempos os chamados Reguladores são notícia. Por más razões, grande parte das vezes. Mas os liberais enchem a boca com a necessidade de ter um Estado menos "interventor" e mais regulador,  no que à economia diz respeito. Com alguma razão. Lembremos alguns reguladores:  Banco de Portugal para os bancos e demais instituições financeiras. O que regulou? O que regula? Nada. Ainda se lembram do BPN e da novela do Senhor Constâncio? Foi apenas um momento particularmente mediático, vergonhoso e até escandaloso. Há milhares de queixas de cidadãos comuns que dão entrada no BdP. A experiência diz-me que o cidadão recebe  uma primeira carta, dizendo que os serviços vão ouvir o banco visado. A seguir recebem outra, tipo ofício, é claro, dizendo que vão encerrar o processo porque o banco lhe disse que o assunto já estava resolvido. Claro que, em regra, não está resolvido. Mas a opinião do cidadão já não conta. O que conta é o que o banco transmitiu, ainda que nada tenha a ver com a realidade. Outra medida deveras inacreditável é a Central de Risco do BdP. Os bancos comunicam dívidas que muitas vezes inventam. O cidadão está tramado. Todos o consideram "caloteiro", "incumpridor" "persona non grata". Acabou-se o crédito. Escusa de justificar a sua posição ou de desmentir a comunicação do Banco. Enquanto este não comunicar ao sistema que o cidadão regularizou a situação ( leia-se pagou, ainda que seja indevido) o cidadão é completamente arredado ou marginalizado desse mesmo sistema. Por isso os bancos não precisam sequer de tribunais para grande parte dos casos. O cidadão, sim. Se quer clarificar a questão não tem outro remédio senão recorrer aos tribunais. Ser-lhe-á dada razão - talvez - quando for velho e as dores da artrite forem mais importantes do que o pagamento indevido que teve de fazer ao banco quando era novo. Enfim, do Banco de Portugal  haveria matéria para muitas entradas como esta.
A ANACOM veio agora para a ribalta, uma vez mais, a propósito da TDT cujo processo é verdadeiramente vergonhoso. Um professor da Universidade do Minho que me pareceu brasileiro ou, pelo menos, de origem brasileira, denunciou há dias numa rádio o escândalo que a TDT representa na perspectiva do consumidor. Realidade de que todos nós nos apercebemos. Ninguém o ouviu e ninguém dará qualquer importância a isso, claro está. Com a chamada ERC aconteceram já episódios verdadeiramente rocambolescos, como muitos se lembrarão. Por isso temos o jornalismo medíocre que conhecemos e que nos regala diariamente. A AdC ( concorrência) não consegue descobrir (?) aquilo que todos sabemos: que há clara e evidente concertação de preços entre a Galp e as restantes distribuidoras de combustíveis. Claro que a formação dos preços não é rigorosamente igual em Portugal e em Espanha. Mas alguém pressupõe que o peso "de taxas e impostos"- só por si -determine que o gás butano (de garrafa) custe em Portugal o dobro do que custa em Espanha?
Não vale a pena continuarmos nesta onda dos reguladores, sob pena de termos de concluir que essas comissões, institutos and so on, são lugares de óptimos tachos, como acontece com os inúteis conselhos gerais, de supervisão e tanti quanti de que os ex-ministros e outros benfeitores públicos usufruem com descaramento inigualável. Como diz hoje o jornalista Pereira Coutinho,  a questão não está só, nem particularmente, na participação do Estado nas empresas. O grande problema que importa resolver é acabar com a participação das algumas grandes empresas no Estado: todas as que vivem à margem do mercado, como bancos, seguradoras, telecomunicações, petróleos, etc, etc.
Por tudo o que suportamos nas últimas décadas já merecemos bem o título de povo mais sofredor, tanquilamente sofredor, quiçá mais masoquista. Esta é seguramente uma das grandes conquistas revolucionárias. Pela revolução e sempre pela revolução, somos hoje o povo com rendimentos mais desiguais em toda a Europa. Só nós atingimos estes níveis de excelência. De que nos queixamos? 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Em jeito de balancete

Um ano difícil de esquecer, ainda que nos atormente a brevidade do tempo. A crise do euro. Esperada para gente atenta, conhecedora e previdente. Uma união com diferenças abismais na economia real e na produtividade e com a mesma moeda, só podia dar nisto. Mais tarde ou mais cedo. Claro que as metásteses do chamado sub-prime acelerou o veículo e libertou a pressão da panela. Quando a Reserva Federal baixava juros para ajudar a economia real, ainda os burocratas de Bruxelas e do BCE aumentavam as taxas de referência e a Euribor, por conseguinte. Foi o que se viu. Não admira que o nosso Sócrates tenha decidido, irresponsavelmente, iludir o País até a um tempo patético. Quando pediu ajuda já estávamos à beira do abismo. Onde ainda estamos. De onde sairemos ( oxalá), mas não tão depressa como todos gostaríamos. E não seguramente, trilhando o caminho usual de culparmos os outros: troika, Merkel, mercados, capitalistas, tudo em nome do mesmo que aqui nos trouxe: a irresponsabilidade individual e social. A incapacidade de aprendermos com os erros.
Outro sintoma que me desanima é  tendência para a mediocridade que vejo e sinto alastrar como óleo derramado no tecido social. Basta pensar naquilo que se passa com as emissões de televisão. Como é triste um país ter os horários nobres de televisão ocupados com os gordos e com a casa dos segredos. A mediocridade, como a má moeda, tem a capacidade para expulsar quem é melhor: expõe-se mediaticamente por incapacidade para se ver- patética e triste -. Ouve-se rádio, vê-se televisão e a mediocridade assoma em todas as esquinas. Alarvemente, é claro. Nos últimos dias, as novidades vieram do Oriente ou a ele estiveram ligadas: a morte do querido lider da Coreia do Norte. Como é possível todo aquele carpir? Como é possível que o PCP se associe à dor do povo Coreano? Como é possível a Coreia do Norte em 2012? E a China ganhou os 23% do capital da EDP que ainda eram do Estado Português. Foram para uma empresa totalmente pública do Estado Chinês. - Enfim, quem pode pode, quem não pode arreia, diz o povo -. Estive em Pequim em Maio de 2010. Tudo aquilo está além da nossa mentalidade e da nossa imaginação. Aquele "social-fascismo" arrepia, como muitos comentam. E a estratégia de conquista do mundo por meios económicos é deveras espantosa! Quando o Presidente Obama tentava há meses convencer os republicanos a votarem favoravelmente o tecto de endividamento dos USA, um senador comentava, pelo que ouvi na rádio: não é o maior endividamento em si que me preocupa. O que me preocupa é que grande parte da nossa dívida está nas mãos dos chineses....Bom, não quero ser pessimista. Esperemos para ver. Mas não me parece sensato pensar que, assumindo-nos como caminho ou vereda dos investimentos estratégicos chineses na Europa ( admitindo mesmo isso), possamos ver aí apenas benefícios. Mas, admite-se que em período de necessidade, poucas opções nos restam. 
Oxalá que o tempo tenha mais olhos que barriga!

sábado, 24 de dezembro de 2011

Natal

Assumo a possibilidade de alguém ver neste começo algum pedantismo. Quis intitular esta entrada como semiótica e crise. Curiosamente, o Dicionário da Academia de Ciências de Lisboa ( o tal que demorou anos ou décadas - nem sei -) não tem qualquer entrada para semiótica. Poderia ser por complexo purista e definir semiologia. Ao que parece, semiótica vem mais na tradição anglo-saxónica. Mas não. Também não apresenta qualquer entrada para semiologia. Estranho! O Ilustrado da Porto Editora - que considero fraquito - tem o essencial. Como é sabido, a Semiótica foi objecto de estudos importantíssimos de um professor universitário ( de Semiótica), filósofo e escritor famoso, de seu nome, Umberto Eco. Tratado Geral de Semiótica e As formas do Conteúdo, -para não dizer mais - são obras e produtos de estudos importantíssimos de investigação que Eco exercitou até em romances como o inexcedível Nome da Rosa. Bom. Mas basta do Dicionário da Academia. Eles lá sabem porque utilizaram estes critérios. O que queria dizer era do sentido, do significado do presépio. Significado milenar. Independente da crença ou religiosidade de todos os que honestamente e com sensibilidade meditam e meditaram sobre o presépio e os seus insondáveis mistérios semióticos. Lembro Miguel Torga - que conheci, por felicidade, nos meus 20 anos, em Coimbra, em duas ou três pequenas conversas-. O Natal é um tema recorrente. Terá seguramente três ou quatro poemas sobre o Natal. E todavia, ao que julgo saber, era agnóstico. Porque o Natal é ainda o símbolo mais rico para o amor e sê-lo-á sempre, cito de memória, -com o risco de o adulterar - um poema de Miguel Torga: Lembro o teu nome/ nas páginas da noite/ menino Deus/ e fico a meditar/ no milagre dobrado/ de seres Deus e menino/. Em Deus não acredito/ mas de ti, como posso duvidar?/ Todos os dias nascem meninos pobres em currais de gado/ humanas alvoradas/ a divindade é o menos.

(Direi apenas, a terminar) que esta imagem do presépio foi encontrada por acaso num blog: de Dilti Xavier Lopes, encabeçando a Janela da Alma. Espero que a Dilti não considere abusiva a reprodução.







quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Crucifiquem-no

 
Crucifiquem-no!

( Diz-lhes Pilatos: Tomem-no vocês e crucifiquem-no, porque eu não encontro culpa nele.)

Sejamos claros: vinda de um primeiro-ministro, a sugestão para emigrar é uma inabilidade política. Para quem está bem intencionado, representa uma frontalidade despida de enfeites, a que ninguém está habituado. Á frontalidade. Não à emigração. Enquanto comunidade, desabituámos-nos também da verdade, como sabemos. Há décadas, mas com especial ênfase nos últimos anos. Mas há sempre quem queira viver de ilusões. E peça, reiteradamente, uma mentirinha sob a roupagem do positivismo e da esperança. Que é necessária, claro está. É sempre necessária. Também por isso a sugestão é inábil e pode ser negativa. Mesmo neste momento.
A emigração- toda ela- é economicamente desastrosa para qualquer comunidade. Mais ainda quando se trata de jovens qualificados cuja formação custou muito dinheiro ao País. O primeiro-ministro não o sabe? Claro que sabe. Por muito que os barões do seu partido e tanti quanti queiram aproveitar-se dessa inabilidade, a verdade é que só um governante desesperado pela perspectiva de vir a não ter dinheiro para subsídios de desemprego pode sobreavaliar, em seu juízo, um hipotético melhor futuro individual, ao bem-estar colectivo. Ao desejável bem-estar colectivo de que depende a sua reeleição. Julgo que apesar da inabilidade, o PM ponderou estes dois momentos. Para além da referida desgraça que a emigração sempre representa, teremos de reconhecer que ela é um pouco menor se a mais valia for levada para Países de língua portuguesa. Há uma pequena hipótese de virmos a amenizar os prejuízos através da influência da língua. Sem acordo ortográfico. Este, ah! bom! A este digo com seriedade: crucifiquem-no.
              

sábado, 17 de dezembro de 2011

Dívida, garotices & companhia

O deputado Pedro Santos ficou, subitamente, famoso pelo facto de ter dito aquilo que todos os outros e muitos socialistas e companheiros de route - mesmo não deputados - verdadeiramente pensam. Os "banqueiros" alemães e franceses já tremelicam de medo só com a perspectiva de não pagarmos a dívida. Logo, em bom rigor, esta declaração ajuda a actual maoiria a gerir a mesma dívida. E só isto é necessário. Nunca pagá-la porque ela é eterna.  Como diria o deputado Acácio (da UDP ) os ricos que paguem a crise. Agora é a Merkl e o Sarkozy, esses desavergonhados, que se atrevem a dizer que temos de produzir o equivalente ao que consumimos. Então para que diabo será a solidariedade? Esta Europa não está bem. Não  tem líderes. Razão tem- uma vez mais - o papa doctor Soares. Tanta garotice de gente com responsabilidades políticas, impõe que nos questionemos. Quem deu tamanha responsabilidade a esta gente? Todos nós ou melhor, a maioria daqueles que votam. Como aqueles que votam já são a minoria dos que poderiam votar, por que continuaremos a encher diariamente a boca com a imagem florida da democracia? Os fetiches são imprescindíveis. A democracia tornou-se o fetiche dos nossos dias. Em nome dela são possíveis todas as imbecilidades. E ai de quem se atreva a defender uma ideia séria, ainda que genial, sem o aval do cheiro democrático. Na gestão da coisa pública só vale o que for democrático. É democrático tudo o que for da conveniência dos "participantes", "activistas" "oportunistas", o outros "istas": desde que se mantenha a ilusão da mencionada maioria. Em boa verdade, bem mais importante do que a dívida ( que alguém pagará), bem mais importante do que a dignidade ( coisa do passado), bem mais importante do que tudo, é simular a aprovação ou mero consentimento da maioria para todas as imbecilidades e garotices.  E Viva a Democracia.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Falácias e Democracia

Como todos sabemos, é tratado pelo pai da democracia portuguesa. Pouco importa. Cada um tem o pai que merece! Tratando-se de regimes políticos, deverá haver também alguma transmissão genética. Digo eu. O facto é que, normalmente avesso a personalizar questões, não posso deixar de referir aqui - escrito informático que por vezes me lembro de actualizar - dois comentários que li em dias seguidos na imprensa portuguesa, ambos citando - ao que parece - o Dr. Mário Soares: ex-secretário-geral do ps, ex-primeiro-ministro, ex-presidente da república, ex-candidato à mesma, ex-candidato a presidente do parlamento europeu, ex-democrata(?). Será? Vamos às citações: primeira: "se a Europa não mudar é preciso fazer uma revolução". A segunda: " é preciso bater o pé à troika". Reconheçamos: o macho despeitado que apelidou a "outra" de dona de casa, está cada vez mais lúcido, mais claro e mais desafrontado. Julgámos que a grande diferença entre a democracia e todos os restantes regimes residisse exactamente no facto de, naquela, não haver revoluções. As mudanças seriam determinadas pelo voto popular. Eleitoralmente. Os portugueses ouviram esta verdade insofismável do pai da sua democracia muitas vezes, ao que julgo. Enganámo-nos. Se a Europa não mudar ( em quê e para quê, eis a questão) façamos uma revolução. Mudêmo-la pela força das armas, dos tanques, dos submarinos, do que quer que seja. Mas mudêmo-la. Claro que a mudança desejável é no sentido de a Alemanha, onde o ps nasceu em 1973, ter de pagar os desvarios dos socialistas portugueses e não só. Que dianho. Eles que trabalhem. Os folguedos são connosco. ( Há séculos, os folguedos da fidalguia mataram o príncipe D. Afonso em Santarém e as nossas aspirações à junção pacífica das coroas de Portugal e de Castela. Ha! Ha! Com cultura é outra coisa! A histórica. Não a do tomate.). Mas também é preciso bater o pé à troika. Não sei se fomos nós que os chamámos, se foram eles que nos invadiram. ( Gosto do nome troika por ser muito Putin, logo, muito democrata.) Seja como for, é preciso bater-lhes o pé. Não é exactamente o mesmo que pateá-los. É só bater-lhes o pé. De birra. Ou de confronto. Que dificuldade terá o Dr. Soares ( e já agora também o Ulrich) em confrontar económicamente técnicos de 6ª ou de 7ª linha? Bata-se-lhes o pé, claro está. E, se necessário, retiremos-lhes os subsídios em 2012. Para aprenderem, pois claro. Este país é de uma serenidade única. O Dr. Soares é de uma seriedade, serenidade e segurança únicas. Todos pensam que não aprecia o Seguro. Mas devem estar enganados. Só um bom seguro permite que nos acomodemos em tamanha lucidez. O Dr. Soares tem um bom seguro e é de uma lucidez invejável. Quod erat demonstrandum.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Maçonaria

Há sempre vários modos de encarar os assuntos. Ou é uma das poucas organizações nacionais ( a maçonaria) onde se ensina a democracia, gestão e eficiência, e então o seu poder vem-lhe da incompetência ou intolerância de todos os outros, ou...repercutem, quiçá determinam o tráfego de influências que mina os alicerces da sociedade portuguesa. Há muitos anos. Mas com grande responsabilidade daqueles que tão ardentemente quiseram implementar esta "democracia" de pacotilha, este faz-de-conta, onde o nepotismo é já tão claro que leva à resignação. Não há nada a fazer, é o que se diz. Com alguma razão. Os grandes responsáveis pela razia de valores que está na origem de todos estes males apregoam hoje "o direito à indignação". Têm razão. Só desconfio da fonte ou fontes. Chego a pensar que ainda não estão satisfeitos. Querem mesmo que o País seja reduzido à expressão mínima. Ou então só querem alijar responsabilidades. Sim, porque, efectivamente, falamos de irresponsabilidade generalizada  que durou décadas. Como estão habituados a enganar tolos, julgam que o conseguirão uma vez mais. Enfim, na maçonaria, como na Opus Dei, provavelemente, como no País em geral e com raras excepções, a mediocridade instalou-se e reina. Olha-se à nossa volta e os casos são tantos e tão deprimentes que nos levam a desistir de cansaço pressentido. Persistir, nestas condições, pressupõe um esforço hercúleo que se adivinha impossível de levar a bom termo. Daí que, erradamente, haja a tentação de desistir. Erradamente, porque a persistência é vital em momentos como este. A resignação é o pior dos sintomas. Até para ultrapassar a crise económica. Um povo resignado, como parece acontecer agora com o povo português, é um povo incapaz de reagir perante as questões mais importantes. Mais uma vez só a arte nos pode redimir. Camões. Sempre ele a contemplar a Pátria, visto que a Pátria só formalmente o contempla. Como é verdade que "um rei fraco faz fraca a forte gente"! A inversa também é verdadeira. Para terminar esta nota com uma nesga de optimismo.

domingo, 6 de novembro de 2011

Karagosis Papandreou

A Grécia. A Grécia. Referenda o pacote de ajuda. Já não referenda o pacote de ajuda. O referendo seria, como todos os referendos que podem colocar a UE em questão, votado inevitavelmente neste mesmo sentido: sim à ajuda. Sim à UE. Sim ao Euro. Sempre assim tem sido. Por maioria de razão o seria com os Gregos. A tranche de 8 mil milhões não chegaria antes do referendo. Não haveria dinheiro para pagar vencimentos. Logo, a democracia estaria assegurada.  Os Gregos seria obrigados a votar a favor da ajuda, como é evidente. Outra coisa extraordinária é que um democrata e socialista diga que a eventual realização de eleições seria uma catástrofe ( sic). Como é isto possível em democracia? Não são as eleições a sua pedra de toque? A sua eterna justificação?
Há quem diga - e não são tolos - que Portugal estará bem pior do que a Grécia, dentro de poucos anos. A austeridade agora imposta é brutal. Se não houver crescimento económico - e não haverá nos próximos anos - não aumentará o rendimento nacional. Logo não poderemos pagar o que devemos. è sabido. Só a austeridade nada resolverá. Precisamos de produzir. De produzir muito mais e de gerar excedentes na balança comercial. Ninguém duvida disto. É uma situação dilemática, efectivamente. Todavia, sem crescimento, podemos diminuir o ritmo de endividamento. Mas continuaremos a endividarmo-nos. Logo, não pagaremos o que já devemos nem o que lhe acrescentarmos, entretanto.
tem-se a impressão, em contacto diário com a vida económica, que os poderes políticos não têm consciência plena desta situação. Nem do descalabro para que tudo isto caminha. 
A Europa está velha, caduca, incapaz de reagir a situações graves, melindrosas e dilemáticas como claramente esta se assume. Não tem lideres ( apesar de não gostar particularmente deste anglicismo). A democracia não passa de uma mistificação. O que realmente importa é assegurar os tachos e a subsistência da burocracia de Bruxelas. Por isso a democracia é a farsa comum a toda a UE. Custa-me dizê-lo. Mas a história recente demonstra que isto é verdade.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Uma falangeta de crise

É impossível resistir. Toda a gente opina. Sábios e ignorantes, génios e imbecis. Ouvem-se tiradas verdadeiramente inacreditáveis. No sistema capitalista, as crises são cíclicas e indispensáveis para o purgar. Estão identificados os ciclos e até tratados com algum rigor. Mas agora falamos de algo mais profundo: as crises.Como foi a de 1929 que levou às profecias Keynesianas, e como é esta, mesmo tendo já sido utilizados os ensinamentos que ficaram da outra. Que consistiram apenas em injectar dinheiro por instrumentos publicos, isto é, pagos por todos, como Keynes pediu então a Roosevelt. O mesmo Keynes previu que o sistema não resistiria sem um crescimento "sustentável" da população. O pequeno crescimento demográfico, para as necessidades sistémicas, foi sendo compensado com o alargamento dos mercados. É a chamada globalização. Que não é um fenómeno novo, ao contrário do que alguns esquerdistas julgam. Pensemos, o que nem sempre é fácil. O crédito é fundamentalmente a antecipação dos rendimentos. Como parte essencial do sistema financeiro vive do crédito e este tem um preço, então mais tarde ou mais cedo haverá inevitavelmente um desfazamento entre a riqueza "material" produzida ( bens e serviços) e a sua expressão monetária. Esta será muito maior, é claro, porque o devedor tem de pagar ao credor a antecipação dos seus rendimentos. Que, como futuros, são até incertos. Os juros são o valor dessa incerteza, como é sabido. Portugal endividou-se irresponsavelmente. Há gente que o vem dizendo há décadas. Mas ninguém a quis ouvir. Os surdos raramente são mudos. E têm dentes. Abocanharam o País e fizeram de todos nós perfeitos idiotas. De que nos queixamos? De termos votado neles por que acreditámos nos cantos de sereia? Ainda acreditamos. No que não acreditamos é na necessidade de vivermos apenas com a riqueza que conseguimos criar. Porque não queremos ser pobres. Naturalmente. Ninguém quer. Mas não é possível ignorar eternamente a realidade. Somos pobres. Não só porque não criamos a riqueza necessária para deixarmos de o ser. Sobretudo porque alienámos os valores e as atitudes indispensáveis para podermos ser remediados: trabalho, mérito, dignidade, hombridade. Adoptámos: egoismo, ganância, irresponsabilidade, trafulhice, chico-espertice. Há meses, uns sábios diziam - e bem - que era preciso cortar as gorduras de um Estado monstruoso e devorador. Libertar a sociedade civil, deixando-lhe mais rendimento disponível. Quando as primeiras medidas são anunciadas, e vão ser necessárias muitas mais, todos esses sábios - ou quase todos -reclamam contra a sua injustiça. Os Senhores Juízes até falam em "mobilizar o Direito". Imagine-se! Como tema de um Congresso. É espantoso. Não haverá pudor? o mínimo de pudor?
Pois bem. Reduzir o Estado até um  limite que a sociedade portuguesa possa suportar é, de facto, indispensável e urgente, se alguém ainda tem a mínima esperança de que o País sobreviva como comunidade independente. Todas as medidas que cortem as gorduras e mais ainda as que acabem com privilégios escandalosos - simplesmente escandalosos - são urgentes e inevitáveis. E elas serão tanto mais duras e talvez injustas porque mais imponderadas, quanto mais tarde forem tomadas. O tempo já reduziu e continuará a reduzir drasticamente a margem de manobra de que dispomos. E o tempo tem mais olhos que barriga, como diz a canção. Há uma nomenklatura do regime que, concertadamente, tentará impedir o emagrecimento do Estado por todos os meios. Sejamos responsáveis e conscientes. Digamos, por uma vez: basta! basta!
E aceitemos que não é digno nem honesto vivermos, enquanto comunidade, á custa dos outros e culpando-os pela nossa preguiça e pela nossa irresponsabilidade. Não é justo. Não é correcto. Não é digno.



quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Alberto João & Cª

Não resisto à tentação de reproduzir toda a primeira página do último Expresso, apesar de a intenção original ser apenas a expressão de palhaço do Alberto João. Brada-se agora hipocritamente contra o buraco da Madeira. Claro que é grave ocultar o que indevidamente se gastou. Mas não foi isso que todos fizemos nas duas últimas décadas, para ser modesto, melhor, comedido no tempo? O que verdadeiramente distingue o Alberto João & Cª das restantes companhias nacionais é apenas o facto de aquele se prestar com gosto às palhaçadas que todos nós temos fomentado e até aplaudido. Claro que vai ganhar as eleições. Não as ganharam a Felgueiras, o Isaltino e tanti quanti?
 Mas vejamos as restantes notícias: as Pensões do Banco de Portugal vão tapar o défice. Que grande descoberta! Já a Dª Manelinha Ferreira Leite fez esta operação com a CGD. No tempo de Durão Barroso. Que foi premiado, tal como o Senhor Constâncio. Todos o sabemos. Será a palhaçada apenas da Companhia da qual é sócio-gerente o Alberto João? Outra notícia: magistrados ignoravam recurso que era do conhecimento público. A Justiça assume tons e hábitos de  anedota permanente. E o povo confrangidito- diz-se - aguenta tudo. Em bom rigor, o povo intui a palhaçada e gosta que a companhia perdure. Insolvências, são mais que as mães, cum diabo! Que a Justiça & Cª perdure com as suas palhaçadas. Vou apenas citar mais duas notícias da primeira página, visto ser difícil a leitura: Marques Júnior confirma toda a investigação do Expresso; 219 alunos usaram truque para entrar na Universidade. Sem palavras. A palhaçada é, afinal, protagonizada pelo próprio jornal de referência. O Semanário da intelectualidade. Mas, se é do país das marionetas e aqui se baba. porque não babar o ninho, todos os ninhos dos cucos que lhe dão o almejado alento?

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Voyages du geste

Ontem, dia 25 de Setembro, o grupo que esteve a trabalhar em Montemor-o-Novo durante 15 dias fez uma demonstração desse seu trabalho. Pode dizer-se. Trabalharam a sério. Quer os jovens formandos, quer os professores. Partiram hoje, a maior parte deles a caminho do aeroporto. Nos comentários sobre Teatro - e não só de marionetas - foi-me grato verificar que a maioria já assume abertamente que as artes cénicas, como tudo o resto na vida, depende do talento, mas sobretudo de muito trabalho. Enfim, ontem celebraram até alta madrugada. Hoje, houve légrimas, doces e amargas de todos e não só de Petra. Foi bonito ver como estes dias de convívio criaram laços interessantes que oxalá perdurem. Na imagem, o Damian, a Marion e a Françoise manipulam uma marioneta numa alusão crítica aos ensinamentos dos mestres: atenção ao olhar da marioneta! Nunca descuidem o olhar da marioneta! O espectáculo - um pouco longo ( 3 horas - teve dança, representação e canto. Bem conseguido, de uma forma geral.

domingo, 18 de setembro de 2011

Arte, amizade e cooperação internacional em Montemor-o-Novo

Um grupo muito interessante está há dias no Hotel Montemor (www.hotelmontemor.com) e os seus participantes trabalham tudo ou quase, no mundo das artes: de marionetas a canto. Canto é a especialidade da Professora portuguesa que os reuniu: Maria João Serrão, uma grande amiga de Montemor-o-Novo. Marionetas é a especialidade do Karim, um professor Libanês a respeito do qual descobri, incidentalmente, que procede a investigações com Toni Rumbau com o objectivo de publicar um livro.(1) É assim, efectivamente. De Palestinianos a Suecos, Belgas, Franceses, Libaneses, Brasileiros, Italianos(as), e Portugueses, naturalmente, o grupo é internacional, divertido, trabalhador e afectuoso. As duas imagens mostram-nos o Damian e a Jessica com duas marionetas criadas nesse mesmo dia, pela Marion e pela Jessica. A Marion cujo nome terá sido a origem do nome Marinette - curiosidade -também se vê na 1ª imagem atrás da Marineta que o Damion manipula, entusiasmado, tal como a Professora Maria Joâo, de Costas. A Marineta da Jessica ( libanesa) tem duas bochechas rubras  de destaque. Apesar disso, a sua criação tem muito da criadora. Pelo menos, assim me parece. O programa no âmbito do qual este grupo se juntou em Montemor para uns dias de trabalho tem o nome extraordinariamente poético de Voyages du geste. Penso não estar errado ao afirmar que também se deve à Câmara Municipal de Montemor-o-Novo a criação de condições ( mesmo financeiras) para que o grupo pudesse reunir entre nós. Que o trabalho seja produtivo e que a cultura seja o cimento das amizades internacionais e do fascínio multi-cultural que este grupo cultiva de forma verdadeiramente cativante. 

(1)- Toni Rumbau é um marionetista e escritor que conhece muito bem Portugal, onde esteve e permaneceu durante bastante tempo, logo após o 25 de Abril. É autor de um livro intitulado Malic - a aventura das Marionetas -cujos direitos da edição portuguesa são da EGEAC/ Museu da Marioneta.

sábado, 3 de setembro de 2011

A matança do porco

Não me ocorre o nome do pintor. Tirei a fotografia no Monte da Ravasqueira, em Arraiolos, ou perto de Arraiolos, numa visita à Adega. O quadro é de um realismo impressionante e tem uma excelente técnica.
Tudo é tão perfeito que parece mais uma fotografia do que uma pintura. Mas tem a beleza da pintura. Da mão humana que sabe transmitir sensibilidade. Assiti a isto na minha infância, todos os anos, em Trás-os-Montes. Assisti ainda recentemente no Alentejo. Claro que já havia fiscalização económica. Mas não havia ASAE. Que tem vindo a concluir ter interpretado mal a Lei em muitas exigências imbecis com que aterrorizou, premeditadamente, um país resignado. Esta democracia integra um regime policial difícil de desmascarar, porque qualquer cretino com um pouco de poder faz questão em usá-lo e sobretudo em abusar dele. A insignificância foi sempre abusadora. Neste momento está em roda livre neste pobre Portugal. São os Polícias. São funcionários menores das Finanças, funcionários menores das autaquias, de todos os departamentos, do poder central, regional e local. Até nos hospitais. Até nas empresas que actuam fora do mercado: telefónicas, bancos, seguradoras etc. Os nossos reguladores são uma verdadeira inutilidade. Do Banco de Portugal e do Instituto de Seguros tenho, na minha vida profissional, "histórias" tão caricatas e tão estúpidas que se torna doloroso contá-las. Como a Justiça não funciona, quem pode e quem ousa meter-se numa encrenca se demorará anos a fazer valer a verdade e a Justiça? Deus nos livre. Por isso falo em resignação. Como sendo o cancro que corrói a comunidade. Esperemos que não seja uma doença terminal.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Amanita caesaria: a legenda diz que é a rainha dos cogumelos. Ao que parece, também é nesta espécie que se encontram os mais venenosos.
Assim, mesmo a propósito de cogumelos, sempre nos ocorrem histórias de outras espécies, quer vegetais quer animais. Neste último reino, há menor variedade, claro. A amanita é o cogumelo mais belo da fotografia. Algo o distinguirá dos seus irmãos venenosos. Não será a beleza, seguramente. Porque a beleza também pode ser venenosa, por muito que nos custe.
O último dia de Agosto esteve cinzento e acabou com uma chuvada forte. Em Lisboa, pelo menos, chuveu como não sucede em muitos invernos. O dia acompanhou, assim, o anúncio de mais austeridade. Estavam prometidas medidas do lado da despesa. Uma vez mais o ministro das finanças Vitor Gaspar, ter-se-á ficado por generalidades. Estamos de acordo, como todas as pessoas isentas e  informadas, que a situação do país é caótica. Os últimos governos e particularmente os do Senhor José Sócrates retiraram aos portugueses a capacidade de indignação e de resistência. A corrupção, a mediocridade, o nepotismo e o compadrio entravam-nos pelas casas diariamente, com as notícias. Ainda entram. Tornou-se impossivel reagir. O excesso cansa. Fizeram tantos e tão despudorados saques ao erário público que nos cansaram. Resignámo-nos. Esta resignação, por muito que não o reconheçam, é o pior inimigo da comunidade nacional neste momento histórico. Sem vencermos a resignação, não conseguiremos ultrapassar a crise.
Li há dias Os Mitos da Economia Portuguesa do actual ministro da economia, Álvaro Pereira Da economia e não só: dois ministérios e meio, como gosta de dizer para justificar o vencimento da sua super chefe de gabinete. Os Mitos, quando não existem, ele inventa-os para poder dizer generalidades e vulgaridades. Uma decepção. A distorção dos incentivos pode ser um facto. Mas não avança uma única situação concreta que se traduza nessa distorção. Exemplifica com a hipotética reacção dos filhos. Algúem de bom senso pensa no perigo espanhol? Se o ministro pensa que alguém teme isso, então é ele que criou um mito. È isto. Como todos os outros, são palavras, palavras e palavras. Este governo já teve o seu período de estado de graça. Começa a ser tempo de mostrar que faz, que quer fazer e que é capaz de fazer. Há muitas dúvidas legítimas já instaladas em muitos espíritos. E com razão.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Punch and Judy

That's the way to do it ! Mr. Punch - e a sua célebre frase quando vence os inimigos à "sticada" - terá nascido em 9 de Maio de 1662, em Covent Garden, pela mão do Signor Bologna (Pietro Gimondi) o qual, naturalmente, trouxe o primo do Pulchinella de Itália. Punchinello, primeiro e logo Punch à boa e prática maneira Inglesa de anglicizar e "shortizar" os nomes. Tal como acontece com os seus parentes, Mr. Punch ficou famoso em pouco tempo e o seu caracter, ao que parece, assimila aspectos de figuras mitológicas anglo-saxónicas como o Lord of Misrule e Trickster. A fama de Punch e da sua mulher Judy ( and the baby) levou à abertura de Teatros com o seu nome em todo o Reino Unido e até em Dublin ( Irlanda). Espalhou-se, naturalmente, pelas colónias britânicas e -diz-se - até George Washington terá comprado ingressos para um espectáculo de Mr. Punch. Histórias de bonecreiros ou professors, como são conhecidos. O que não é muito verosímil. Porque um auxiliar importantíssimo do professor era o bottler que fazia a ligação com a assistência, interpelava as personagens, tocava tambor e gaita de foles ( na era Vitoriana) e, sobretudo, recolhia as moedas na bottle, em sentido figurado, é claro, fosse qual fosse o recipiente adequado aos donativos. Logo, talvez não houvesse ingressos, no tempo de George Washingtn. Ou talves houvesse, porque na América nunca houve o hábito de trabalhar à borla, naturalmente. Há figuras que foram caindo em desuso com a transição do espectáculo de adultos, representado muitas vezes em tabernas, para os espectáculos mais dirigidos às crianças, como acontece nos dias de hoje. Entre essas figuras agora não utilizadas conta-se a amante de Mr.Punch, de seu nome Pretty Polly. Também desfilam nos encontros Toby the dog, Hector, the horse, além do inevitável Polícia ( The Constable), o Palhaço ( Joey, the Clown), etc.
Punch foi também o título de uma antiga revista humorística, o que revela bem a dimensão social desta marioneta: de cordas, inicialmente, e hoje mais manipulada como marioneta de luva. O fenómeno Punch tem sido objecto de estudos importantes. Citamos apenas o livro de John Payne Collier, The tragical Comedy or Comic Tragedy of Punch and Judy, ilustrado por George Cruikshank e com várias edições.