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quarta-feira, 27 de março de 2013

Que viva o Teatro

  1. Hoje é o Dia Mundial do Teatro. 

O Teatro também é palavra. Mas é gesto, atitude, símbolo. Como dizia o poeta da poesia, poder-se-á dizer do Teatro: cést le réel absolu. E ainda com referência à poesia e ao poeta, as palavras de Fernando Pessoa: o poeta (actor) é um fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente.
Transcrevemos o texto da actriz Judi Dench, escrito para este dia e também o do nosso Rui Mendes, escrito a pedido da Sociedade Portuguesa de Autores. Que viva o Teatro.
   O Dia Mundial do Teatro é uma oportunidade para celebrar o Teatro nas suas múltiplas formas. O Teatro é uma fonte de divertimento e de inspiração e tem a capacidade de unificar as numerosas populações e culturas existentes no mundo. Mas é mais do que isso e também oferece oportunidades para educar e informar.
O Teatro é feito por todo o mundo e nem sempre nos espaços tradicionais de teatro. Os espectáculos podem acontecer em uma pequena aldeia de África, no sopé de uma montanha da Arménia, em uma pequena ilha do Pacífico. Só precisa de um espaço e de público. O Teatro tem o dom de nos fazer sorrir, de nos fazer chorar, mas também deve fazer-nos pensar e reflectir.
O Teatro faz-se com trabalho de equipa. Vêem-se os actores, mas existe um conjunto extraordinário de pessoas que não é visto. Elas são tão importantes como os actores e são as suas competências diversas e específicas que permitem que o espectáculo aconteça. Devem receber parte do triunfo e sucesso que se espera obter.
O dia 27 de Março é a data oficial do Dia Mundial do Teatro. Mas todos os dias deviam ser considerados, de maneiras diferentes, como um dia de Teatro, pois temos a responsabilidade de continuar essa tradição de divertimento, de educação e de edificação dos nossos públicos, sem os quais nós não poderíamos existir. 
Judi Dench

A Sociedade Portuguesa de Autores pediu ao actor e encenador Rui Mendes que escrevesse uma mensagem para o Dia Mundial do Teatro.
"Apagam-se as luzes da sala. Acendem-se as luzes da cena. Entram os actores. Começa a escorrer para a plateia um caudal de sons que se transforma em ideias, de palavras vestidas de imagens, de ritmos que ressumam beleza, de corpos humanos que desenham poesia. 'A poesia ensina a filosofia' disse Aristóteles. O mesmo faz o Teatro. São coisas inseparáveis.
Há muitas formas de dar início a um espectáculo de teatro, mas só há uma de o terminar: é com a gostosa recordação do que é efémero, daquilo que durante algum tempo nos preencheu os sentidos e o espírito, e que não volta a acontecer, senão na nossa memória assim enriquecida para o resto das nossas vidas. No verdadeiro teatro este é o sentimento que, no final, une os que o fizeram àqueles que a ele assistiram. É um dos milagres do Teatro.
A palavra TEATRO, deriva do grego 'THÉATRON', 'lugar de onde se vê'. Há os que vêem e os que são vistos. Há os que ouvem e os que são ouvidos. Mas todos são feitos da mesma massa, embora de diferentes cores de pele e de cabelos, de todos os tipos de educação e de formação, com variadíssimas experiências e objectivos na vida.
E se, pelo menos na cena, todo o colectivo teatral tende a ser uma comunidade homogénea sem a qual não pode funcionar, já o mesmo se não pode dizer dos que estão na plateia. A utopia de uma sociedade igualitária, sem chocantes divisões sociais, está longe de vir a ser uma realidade palpável. É um futuro eternamente adiado.
Talvez que a permanência de problemas por resolver seja uma das nossas razões de existir, uma espécie de sal da vida. Mas persistem teimosamente dramas concretos que afligem cada vez mais os seres humanos. E não devia ser assim. O teatro que é e terá de ser sempre poesia, não pode nem deve, talvez por isso mesmo, ficar indiferente.
Num mundo cada vez mais superpovoado, permanecem os conflitos sociais, as lutas tribais, as religiões, os ódios, as guerras pelo poder, as discriminações, as economias selvagens, a fome e toda a espécie de privações forçadas. E que ninguém venha pedir contas ao Teatro e aos que o praticam, de serem culpados de alguma coisa.
Pelo contrário, o Teatro tem sido, por várias formas, uma flecha arremessada aos poderosos, um aríete apontado aos portões da crueldade, dos gananciosos, dos desonestos e dos oportunistas. O Teatro só pode ser praticado com afectividade, com a generosidade de dar e com a coragem de pugnar pelo bem. Caso contrário renega-se, abastarda-se. Por estas razões ele devia estar na primeira linha das preocupações dos governantes, que têm a estrita obrigação de o apoiar com justeza e visão. Mas até talvez seja por estas razões que eles tanto o desprezam, quando não o combatem abertamente.
Jean Paul Sartre disse numa entrevista: 'Uma peça escapa ao seu autor desde que o público está na sala.' E mais adiante: 'Em Teatro as intenções não contam. O que conta é o que sai. O público escreve tanto a peça como o autor'.
Sófocles, Gil Vicente, Shakespeare, Molière, Goldoni, Schiller, Goethe, Ibsen, Strindberg, Tchecov, Shaw, Pirandello, Brecht, Beckett, Osborne, Pinter, entre muitos, muitos outros autores teatrais, preocuparam-se e reflectiram sobre os problemas do seu tempo, que curiosamente são os mesmos de hoje. Não podemos deixá-los a falar sozinhos.
E esta obrigação envolve-nos a todos: dramaturgos, encenadores, artistas plásticos, músicos, actores, produtores e até o próprio público, sobretudo aquele que não vai ao teatro. É preciso fazer chegar o Teatro ao maior número.
Só assim será possível ajudar a mudar o Mundo. Para melhor, claro. 'Para pior já basta assim'."
Rui Mendes

domingo, 3 de março de 2013

Tão certinhos que nós somos.

A prof. Fernanda Palma mantém uma coluna no Correio da Manhã, intitulada  Sentir o Direito. Em regra, aborda questões de Direito Penal e devo reconhecer que se trata de uma coluna útil, visto que a professora utiliza uma linguagem simples e os assuntos, mais ou menos pertinentes e oportunos, são tratados com o claro propósito de esclarecer os leitores do Correio da Manhã. Hoje, a professora Fernanda Palma decidiu escrever sobre a lei 46/ 2005, ou melhor, sobre futilidades que têm vindo a público a propósito da Lei 46/2005. Sim. É a tal da limitação dos mandatos dos presidentes dos órgãos executivos das autarquias locais. Curioso, A senhora Professora diz nada.  Decide escrever sobre uma questão de grande oportunidade e com repercussões políticas evidentes. E nada diz. Não dá a sua opinião. Não nos diz que princípios e elementos devem ser levados em conta para interpretar esta e todas as outras leis. Nada. Porquê? Conta as pequenas e ociosas histórias do "da" e do "de", como se este patético pormenor gramatical tivesse alguma importância na interpretação desta norma. Fala-nos das duas interpretações que têm vindo a público e diz-nos que ambas são possíveis. Claro que sim, senhora professora. São possíveis essas duas como outras quinhentas. Mas sabe uma coisa? Quer verdadeiramente saber? Só uma,- repito -só uma, das duas ou das quinhentas  - é científicamente correcta. Era isto que V. Exª poderia e deveria ter dito enquanto cidadã e enquanto professora de Direito. Só uma é cientificamente correcta. E é correcta aquela que respeite as regras do artº 9º do Código Civil Português, que diz isto: " artigo 9º- Interpretação da lei. 1- A interpretação não deve cingir-se à letra da lei, mas reconstituir o pensamento legislativo, tendo sobretudo em conta a unidade do sistema jurídico, as circunstâncias em que a lei foi elaborada e as condições específicas do tempo em que é aplicada. 2.... 3....". Numa palavra, a ratio legis é o elemento hermenêutico determinante. O "de" ou o "da" nada significam no caso presente. Qualquer cidadão minimamente informado e conhecedor das circunstâncias que levaram à aprovação desta lei ( ocasio legis) e do propósito legislativo ( que não do legislador) sabe, lendo o artº 9º, cujo nº 1 transcrevemos, que é à presidência da câmara e da junta de freguesia ( de todas as câmaras e de todas as juntas de freguesia do País) que a lei se refere. Tanto assim é que a única proibição se reporta ao 4º mandato sucessivo ( e com a excepção de estar no 3º mandato aquando da aprovação da lei). Qualquer outra interpretação é incorrecta. é oportunista e é fraudulenta. Esperemos que os Juízes a quem já foram submetidos alguns "casos" a este respeito, tenham a coragem e o rigor de afirmar esta verdade insofismável: os "salta-pocinhas" e respectivos partidos cometem uma fraude à lei quando querem aproveitar-se do que dizem ser uma falta de clareza. Mas é preocupante e nunca deixará de ser preocupante, este temor reverencial perante o oportunismo dos partidos políticos que tudo fazem para tirar partido da má legislação que propositadamente "produzem" na Assembleia da República. É preocupante esta "descalcificação" da coluna vertebral que contaminou o País inteiro. Tal como sucede com o governo perante a troika, também pessoas com responsabilidades sociais manifestam um medo do poder que é preocupante para todos e vergonhoso para as instituições e para o Estado de Direito. Eis a primeira razão para explicar as calamidades que hoje vive a sociedade portuguesa. Tão certinhos que nós somos! Tão bem comportados! Sempre à espera das migalhas do poder! Esperava mais de uma professora da minha faculdade.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Bancos, banqueiros, bancários & Cª

Só tem dúvidas quem quer. Nos últimos tempos, é constante a revelação dos escândalos com bancos, designadamente europeus e que conseguiram durante décadas projectar imagens de prestígio. Prestígio? Por lavagem de dinheiro, como autores, veículos, ou até instigadores? Por boicotarem decisões da comunidade internacional e por auxiliarem até o terrorismo? Por fraudes e manipulações de taxas de juros ou de referência ( Libor, v.g.) com objectivos gananciosos e para contornar regras elementares de supervisão? Prestígio? Com sistemáticas fraudes fiscais e não só? Com offshores e sociedades fantoche? Como é possível que os responsáveis por estas sociedades ( ou instituições, como "eles" gostam de dizer), debitem diariamente as maiores vulgaridades com a chocante arrogância de quem vê no próximo apenas um ignorante ou um débil mental? Como é possível que os seus servidores maltratem o pobre cidadão com uma dívida de algumas centenas de euros, só porque o seu nome consta da central de risco do banco de portugal, ou de qualquer outra central de risco. Que risco?
O risco de de "eles" terem arruinado os valores mais elementares da vida em sociedade? O risco de pagarem prémios de milhões aos seus gestores ao mesmo tempo que pedem aos contribuintes "para os capitalizarem"? Parece que, nos Estados Unidos, alguns já acordaram no pagamento de milhões para evitarem a acção da Justiça. Interessante lenitivo. Se falirem,( insolvência é mais suave) como parece ser o caso do suiço Wegelin, lá se consegue mascarar, uma vez mais, outra situação intolerável. Sempre à custa do contribuinte: tax payer, para os mais pragmáticos anglo-saxónicos; estado é a mistificação europeia de inspiração francesa. Contribuintes. Zé pagante, como nos chamou Bordalo Pinheiro.
Já ninguém pode ter dúvidas. Para além da indiferença pelos valores da vida em sociedade; para além de terem estado na origem da maior crise de que há memória nas últimas décadas, estas sociedades financeiras controlam o poder político através dos mecanismos mais arrevesados que conseguimos imaginar. Em bom rigor, a democracia é hoje apenas a burqa que esconde os verdadeiros centros de poder. Portugal é paradigmático a este respeito. Mas, dizíamos, para além de tudo isto - e é tanto que custa a acreditar - os actos de natureza criminal que vão sendo revelados ( a conta gotas...) indicam que, em boa verdade, estas sociedades financeiras são verdadeiros gangs de malfeitores legalmente legitimados. Que raio de sociedade criámos? que raio de sociedade continuamos a fomentar?
Claro que não pensamos ser minimamente desejável qualquer esquerdismo inconsequente, como clamam os fregueses oportunistas que diariamente nos cansam com as mesmas balelas de sempre: imbecis e irresponsáveis. De resto, sabemos bem ( por décadas de conhecimento e alguns até de experiências) onde pretendem chegar estes esquerdismos e o que fizeram da sociedade quando tiveram poder para tal. Ainda fazem. Em poucos lados, mas ainda fazem. Quando mais de 80% do órgão de cúpula de um partido é preenchida por funcionários, imagine-se o que aconteceria à sociedade se pudessem apropriar-se do poder. O mesmoque fizeram noutras paragens, evidentemente.
Bom. Tenho para mim que, ou introduzimos profundas e sérias reformas sociais ou não haverá saída para a chamada crise económica. A parte económica é apenas a face mais evidente, porque nela esbarramos todos os dias.. Trata-se de uma crise de valores. Da maior crise de valores de que há memória. Ou conseguimos reintroduzir nas instituições e no ambiente e relacionamento social os valores do respeito, por nós e pelos outros, da coesão e da solidariedade, ou alastrará esta irresponsabilidade e esta indiferença que nos levará ao caos.
Em verdade, em verdade vos digo, tudo isto, incluindo o que escrevi,  era bem mais interessante com algum humor à mistura.




sábado, 22 de dezembro de 2012

Canduras, nacionalizações e BPN

É hoje notícia de 1ª página do Expresso: clientes deixaram de pagar as dívidas ao BPN. Como se fosse "coisa" estranha ou  inesperada,  também os restantes canais de notícias a espalham com ecos de esoterismo. As estaçõs de Rádio: " o buraco BPN não para de aumentar"...etc., etc. É difícil suportar diariamente a imbecilidade e a ignorância. Começando pelos jornalistas. O BPN foi uma das maiores vigarices a que os contribuintes portugueses foram sujeitos. Ponto. Toda a gente o sabe. Não sabe quem não quer. Ou os pobres de espírito. Mas deles - dizem- será o reino dos céus. A que propósito foi a nacionalização? A que propósito foi a concessão de milhões e milhões de crédito  já após a derrocada e correspondente nacionalizão? Foi vendido por meia dúzia de tostões. E mesmo assim, o comprador/a escolheu os "activos" que lhe interessaram. Os chamados "tóxicos" ficaram para o Estado. Melhor dizendo, para os contribuintes, porque essa do Estado é, evidentemente, uma mistificação. Os contribuintes. Os tais que, segundo aquele espantoso Ministro das Finanças Teixeira dos Santos não pagariam um cêntimo pelo BPN. Logo, porque se espantam os meios de comunicação com a realidade mais do que esperada de que os tóxicos acabem por intoxicar? O inverso é que nos deveria espantar. Como é diferente o amor em Portugal! Ninguém comentou sequer o gravíssimo atropelo às regras e princípios da concorrência quando o Governo de então se escondeu atrás da Caixa Geral de Depósitos. Como ninguém comentou o gravíssimo atropelo aos princípios e regras mais elementares do Direito da Concorrência quando se "desviaram"  gestores da mesma Caixa para o seu maior rival, o BCPMillenium.  Pouco importa se eles eram bons ou maus gestores. A saida de um banco público e o ingresso, como principais administradores de um banco privado é intolerável em qualquer país civilizado. Mas, em Portugal, ninguém abriu a boca. Como é diferente o amor em Portugal. Eu e os restantes contribuintes continuaremos a pagar as incompetências, os nepotismos, as imbecilidades dos oportunistas a quem esta mistificação democrática entregou o poder e a arrogância. Esguedelham-se por tudo e por nada. Pelo poder, pela aparência de poder, pela compensação de um ego esfarrapado de maltrapilhos mentais. Que tristeza. Como é diferente o amor em Portugal. Canduras. Não admira que o contribuinte português seja a figura do ano de 2012. E, resignadamente, continuará seguramente a ser a figura do próximo ano.

Nota: o seu a seu dono, evidentemente. Espero que o autor do blog O Pai do Bicho ( Zé Brites?) e o respectivo autor ( derkaoui?) não se ofendam pela utilização da caricatura. Esta utilização é, da minha parte, uma homenagem ao seu trabaho.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Portugal não é a Grécia?

É nosso dever começar por louvar o autor do Henricartoon ( Henrique Monteiro, ao que sei), pela excelente caricatura que tomamos a liberdade de publicar. Esta, como muitas outras caricaturas do mesmo autor demonstram que, apesar de tudo, ainda se fazem coisas muito boas entre nós,.Demonstram que ainda há quem resista à mediocridade em que nos afundamos. Por mero acaso, a última entrada neste blog, também tinha um motivo do grande Rafael Bordalo Pinheiro. O motivo de hoje, pela perspicácia e oportunidade, bem merece estar ao lado do Zé pagante do genial Rafael Bordalo Pinheiro.
 Há uma segunda nota que não podemos deixar em claro: há mais de dois anos ( desde que a "crise" começou) que se ouvem,por tudo e por nada, os políticos e todos  os imbecis, afirmar e reiterar esta ideia: portugal não é a Grécia! Pouco importa estar agora com "tiradas economicistas" e boçalidades políticas. Esta afirmação, que tem algo de arrogante, é mesquinha, estúpida e despeitada. Os Gregos fizeram muitas asneiras com os subsídios que receberam. É verdade. E nós fizemos o mesmo. Mas, para um País que reclama a solidariedade dos restantes parceiros europeus, é completamente estúpido e despeitado querer distanciar-se de um outro membro da UE, só porque julga que não está tão mal. Se queremos a solidariedade dos outros, é nosso dever mostar, no mínimo, a nossa solidariedade a todos e sobretudo àqueles que julgamos estarem piores do que nós. Estarão? É uma questão muito discutível. Mais coragem do que nós têm. E isso traduz-se em dignidade. Talvez a dignidade, ou o que fazemos para a preservar, seja o mais importante do que nos resta. Do que não nos resta, no triste caso nacional. Ao menos, os representantes do povo grego têm defendido os interesses dos representados bem melhor do que têm feito os nossos representantes. É o que penso e, ou muito me engano, ou é também o que pensa grande parte do povo português. Como o cartoon demonstra, talvez estejamos a enforcar-nos em "servilismo" e, por isso, os Gregos nos olhem com espanto e alguma ironia. Tenho para mim que os próximos meses trarão grandes surpresas. Más, infelizmente. Oxala não sejam irreparáveis.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Imperdoável

O Zé pagante ( Rafael Bordalo Pinheiro)
Luís Marques Mendes disse há poucos dias que o Vitor Gaspar deve estar a gozar com o pagode. Louvo a forma directa e honesta como o ex-presidente do PSD - e que até apoiou Passos Coelho - exprimiu a sua irritação e indignação. Sentimentos que se generalizaram.1- Em quem apoiou Passos Coelho, farto da baronagem do PSD e na esperança de quem alguém menos comprometido pudesse fugir à lógica de interesses e de tráfico de influências do bloco central. Estes já se desenganaram, obviamente 2- Indignados estarão também todos aqueles que votaram Passos Coelho para "punir" os últimos anos do PS, particularmente de Sócrates, cuja irresponsabilidade e descaramento muito contribuíram para que o País entrasse no caminho da miséria em que se encontra. Não foram apenas os governos de Sócrates, evidentemente. A irresponsabilidade é muito anterior e nela participaram também governos do PSD, designadamente os do actual Presidente da República. Todos os actos de miopia que trocaram a capacidade produtiva pelos simples e imediatos "subsidios" deveriam ser julgados por má gestão e, sobretudo, por irresponsabilidade e por traição ao que de melhor os portugueses fizeram nos seus oitocentos anos de história. A mediocridade nivelou tudo por baixo. 3- Indignados estarão ainda todos quantos acreditam com naturalidade que, apesar de saberem que a política vive de aldrabice, de nepotismo e de muita corrupção,  a atribuição de responsabilidades governativas deveria, no mínimo, contribuir para que "esse alguém" respeitasse quem lhe dá o poder e as prebendas: quem lhe paga o ordenado e os benefícios presentes e futuros ( que são sempre muitos, como já está demonstrado). Ora, estes ministros têm revelado uma demagogia e uma incapacidade desesperantes. Dizem e desdizem e voltam a dizer que não disseram, mas a culpa é sempre dos outros. Ninguém os entende porque os tolos (todos nósnão entendem tanta genialidade ( a deles). Nada sabem ou revelam saber da vida, da eficiência e equidade de medidas essenciais de governação, em bom rigor, nem português sabem, como se percebe cada vez que os ouvimos. Mas são génios incompreendidos! Caminhamos para o precipício. Tudo isto é imperdoável. Este governo conseguiu dar razão aos "esquerdalhos" - que não confundo com uma esquerda séria e consciente; aos arrivistas - que também soube integrar -; aos demagogos, lunáticos, populistas e até aos dementes ou caminhando para a demência. Arre, porra, que é demais. Isto, tudo isto, é verdadeiramente imperdoável. 

domingo, 25 de novembro de 2012

Kasperl, faits divers e tanta...merda.

 No post de 24 de Julho de 2011, falámos aqui, neste modesto blog, no primo alemão do Punch Inglês, irmão mais novo, por sua vez, do Pulchinelo,  enfim, das figuras bonecreiras mais conhecidas da Europa. Era o Kasperl ou Kasperle, Gasparinho, diríamos em português. Há mais de um ano, a associação era bem menos evidente. Kaspar Laifari foi a personagem de um bonecreiro de grande classe de meados do sec. XIX, de seu nome Graf Pocci. Pelo que antes do aparecimento de Kasperl, o nome mais conhecido nas marionetas tedescas seria o  de Hans Wusrst ( Zé Salsicha, traduziriamos nós, sem maldade, mas de forma agora também apropriada, nos tempos que correm). Bom, relembramos hoje esse post por nos parecer alegoricamente oportuno, face ao orçamento aprovado há dias, à situação caótica em que o país caíu e continuará a cair pela forma como as coisas se perfilam e que todos vêem menos o nosso Gasparinho. Lembramos apenas que o sentido de humor dos Alemães ( têm-no, não duvidem!) leva a que chamem às maçudas, improdutivas e tantas vezes patéticas discussões parlamentares, o Kaspertheater ( teatro de marionetas). A nossa feira da Ladra também não está mal. Se bem que o nosso sentido de humor vai sendo abafado por uma mal fadada resignação.
Ainda esta semana, o agora homem forte do Millennium BCP, de seu nome Amado, dizia esta coisa  absolutamente transcendente: se pagassemos menos juros pelo dinheiro que o Estado nos "emprestou" para capitalização ( mais de € 3 mil milhões só ao Millennium, lembram-se?) então poderíamos financiar a economia!!! O Bava também se achou com o direito a bacoradas. Naturalmente. " A nossa fibra não está aberta para ninguém." Será que os "buracos não foram feitos em espaço público. Todos os buracos foram abertos no espaço público! Com fibras e sem fibras. E duvido que o Bava tenha fibra! Haverá reguladores em Portugal? Será que esta gentalha toma todos os portugueses como mentecaptos? Os bancos baixam os spreads apesar de tudo o que tem sucedido? Será que pagam tanto quanto nós pagamos ao BCE e Cª? Querem dado e arregaçado e dizem-no sem vergonha e sem pudor. O Senhor Governador do BP parece ter partilhado, para obter a sua anuência, seguramente, a ideia genial do hipotético banco de fomento com o Faria da CGD e com o Salgado do BES, entre outros, é claro. Muita coisa tem este "regulador" partilhado com a ordem irregular dos correspondentes padrinhos e sobrinhos. Lembram-se do BPN? E do BPP? E das "cegueiras obstinadas" do Constâncio e Cª? Até aos deputados negou informação. E bem mereceram a "nega" essas inúteis e subservientes marionetas de cordel. Como ele ( Constâncio) mereceu o tacho na Europa. Espero que tenha levado o motorista. Todos os nossos génios são reconhecidos na Europa e no mundo. Quanta merda! É tanta a merda, tão genial e  tão patética que cansa tentar explicá-la. Só tentar explicar cansa! A arrogância, a prepotência, a mediocridade, a irresponsabilidade, a imbecilidade enfim, a merda em que toda a vida nacional se transformou é pateticamente cansativa. Agora estão os Açores e o Governo Central preocupados, muito preocupados, porque os Americanos decidiram "poupar" nas Lajes e não só, ao que parece.  Consigo conceber que um Estado soberano exija contrapartidas, monetárias ou não, pela utilização de um espaço que se compreenda nessa soberania. Mas que fique histérico porque outro estado deixa de estar interessado na utilização que vinha fazendo do espaço, não me entra na cabeça. Mais facilmente admitiria que lhes pedissem o favor de ficar. Sim. Sim. Pedir e beijar-lhes a mão. Ou então desistam da ilha, que diabo. Tudo isto é patético. Alguém disse que o ridículo mata? Enganou-se no que a Portugal diz respeito. O ridículo não mata em Portugal. Em Portugal, nos tempos que correm, toda a merda engorda, seja ela central, regional ou local. Terá fim toda esta merda? Algum dia terá fim? 
O Gasparinho ri-se. Por ser primo do Loucâ, seguramente.

domingo, 4 de novembro de 2012

Tenham vergonha!

São três e atacam aos pares
Parece que o ministro Gaspar, Vitor, terá ficado "ofendido" por um deputado ter dito que o País estava farto do seu discurso Salazarento. Não subscrevo a intenção do Deputado. Mas espanta-me a "sensibilidade" demonstrada pelo ministro. Alguém poderia ofender-se? Talvez. Nunca o ministro ou qualquer outro perante as circunstâncias que vivemos. Que eu saiba, o Salazar nunca precisou de chamar os Homens do FMI ou de qualquer outra organização, europeia ou mundial, para o "ensinar" e reorganizar ou a "refundar" o Estado. Nunca chamou estrangeiros, por muito experientes que fossem, para o ajudar a cortar na despesa ou a reorganizar serviços públicos. Afinal o senhor e os outros são ministros para quê? Como demonstram merecer o que ganham? Telefonando para o FMI, o BCE e a Comissão Europeia? Para tais funções, basta um ou uma telefonista. Bilingue, concede-se. Mas não pusilânime. Tenham vergonha. Se são incapazes de dirigir o País, demitam-se. É tempo de haver algum pudor, caramba. Bem dizia o outro. De mão estendida, não há soberania que resista! O que ainda espanta, o que sempre me espantará, é a "lata que toda esta gente demonstra".
Mais do que espanto, senti vergonha. Passo a relatar. Ouvi há dois dias nas notícias o Senhor Presidente da ASJP ( associação sindical dos Juízes Portugueses - para quem não saiba -) dizer em pleno Parlamento que os cortes remuneratórios deixavam os Senhores Juízes "mais permeáveis ( não tenho a certeza do termo) a pressões. Inacreditável! Julgo que a maioria dos Senhores Juízes também terá ficado incrédula e repudiará tais declarações. A honestidade dos Juízes passa por um bom estatuto remuneratório? Bela independência de que tanto falam. Se assim fosse, sempre teriamos que dar razão aos ditos populares. A Justiça mudaria conforme o estatuto dos "justiciables". E não só.
Perdemos valores, perdemos pudor, perdemos vergonha. Que diabo de sociedade quereremos nós construir? 
Entre nós e eles ou entre eles e nós, venha o Diabo e escolha.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Figurões & Cª

Parece que o Senhor Ulrich, Fernando, vejam bem (?) terá enfáticamente afirmado esta coisa brilhante : "ai aguenta, aguenta". Se o País aguentava mais austeridade, terá sido a questão colocada ao Senhor. A ocupação do poder político pela mediocridade e pela incompetência é uma verdade da maior evidência. Essa mediocridade e essa incompetência não são exclusivas do poder político. Outros "poderes" com ele imbricados até à medula foram abocanhados pelas mesmas "virtudes". Já aqui fizemos alguns comentários a saídas espantosas do Senhor Salgado. Agora foi o Senhor Ulrich. Sempre muito convencido de si, ao ponto de chamar ignorantes a quem não vê a sua "realidade". Terei de ser muito sintético, mas quero ser claro. A memória precisa de ser avivada, de quando em vez. Como todos sabem, a mal fadada crise começou por ser do chamado subprime: um palavrão anglosaxónico para que o povo não compreenda as coisas. É disto que eles vivem! Eles, os banqueiros e outros. O palavrão anglo-saxónico nada mais representa do que negócios entre os bancos com as hipotecas. Convencidos de que o preço das casas continuaria a subir e que o valor da hipoteca que garantia o empréstimo seria, por consequência, menor do que o valor da casa e com tendência para que essa diferença aumentasse, os banqueiros ( Instituições Financeiras, como é mais rigoroso e eles também gostam mais) " vendiam" entre si essas hipotecas e respectivas margens de lucro. O resultado também é conhecido por todos. A crise alastrou. Como os mais lúcidos previram, os estados Unidos decidiram combatê-la o mais rapidamente possível, enquanto os Europeus  se entretinham a "discutir" se já chegara ou não a época dos marmelos. O resultado está à vista. Mas este e outros figurões nem preocupados estiveram durante muitos meses. A desgraça de Portugal ( o tal que aguenta mais e mais austeridade!) era a sua sorte. Pediam ao BCE a 1% e emprestavem ao Estado Português a 7%, 8% e mais. Para quê clentes? Tinham contribuintes! Até que o BCE disse: basta! Já pediram de mais. Eles gostam mais de dizer que a exposição é excessiva. Nessa noite correram todos os telejornais a dizerem o contrário do que tinham dito uma semana antes: ai Jesus, é urgente pedirmos o resgate que o Sócrates disse que nunca iria acontecer. E correram com o Sócrates, claro. Que bem preciso era. O povo é que ficou com a ilusão, em função das eleições, que a coisa era democrática. Essa é a função desta democracia. Criar e manter a ilusão da chamada soberania popular. Bom, regressemos ao tema. Apesar disto tudo, os figurões afinal não estavam tão bem como pregavam. até porque só entre nós era possível contabilizar a dívida pública que detinham e detêm de forma a fingirem activos que não tinham nem têm.  E precisaram que os contribuintes ( chamar-lhes Estado é a mistificação usual) disposisessem de vários milhares de milhões de euros para capitalizar as suas "instituições". Eles adoram esta expressão. Pagamos os juros mais altos da Europa. As nossas PME têm nas taxas de Juro o factor mais pernicioso no que à competitividade diz respeito. Os figurões são medíocres, mesquinhos, incompetentes e sem o mais pequeno pudor. Exploram e regozijam-se com isso.
Todos nós podemos definhar. Pobres, muito pobres, haveremos sempre de pagar os seus privilégios. Força, Ulrich, que nós aguentamos tudo. Não fosse V. Exª um especialista fiscal. Quantas offshores tem o seu banco? Ou serão só os outros?
Ele há coisas!

sábado, 6 de outubro de 2012

Coudelaria de Alter: à espera de um milagre

Visitei ontem a Coudelaria de Alter. Alarmado pelas últimas notícias, quis verificar pessoalmente "o exagero dos jornalistas". Emganei-me. O Jornalista, cujo nome não recordo, pecou por defeito. A situação deste símbolo magnífico do misticismo nacional, é de uma tristeza confrangedora, pungente, deprimente, miserável. Não há adjectivos. A tapada do Arneiro, em Alter do Chão e a Coudelaria, onde foram paridos e criados  milhares de "filhos de vento" ou lusitanos Alter Real, ou talvez o cavalo mais bonito e mais elegante do mundo, está degradada, senão mesmo abandonada. Nem a cafetaria já abre. Da galeria foram retirados todos os objectos expostos e que eram emprestados pelos respectivos proprietários. Naturalmente. A casa dos trens está praticamente vazia, suja, esburacada. O picadeiro está degradado, foram furtadas as cadeiras das bancadas, as janelas têm os vidros partidos e as madeiras apodrecem irremediavelmente. A erva e as silvas crescem e destroem instalações que qualquer país do mundo preservaria com orgulho. O mesmo faria qualquer particular que tivesse a sorte de poder dispor dessas instalações, ainda que não da tapada. Não há palavras para descrever o que vi. Para esta brevíssima e incompleta descrição, obriguei-me a "calar" a tristeza que embarga a voz e apaga o termo. Como é possível? Há meia dúzia de anos, foi constituída a Fundação Alter Real para gerir a coudelaria e tudo o que à sua volta é suposto movimentar-se. A Escola Portuguesa de Arte Equestre, uma das melhores do mundo e como tal reconhecida durante décadas, recebia os cavalos de Alter que eram e  ainda serão ( assim o espero) trabalhados pelos mestres equitadores. 
 O que terá acontecido à capacidade de gestão dos administradores da Fundação? O que terá acontecido aos garanhões da Fonte Nova? À ilha do Tejo para onde eram enviados os potros depois da desmama? Soube, por um simples empregado ( cujo nome, obviamente oculto) que a Fonte Nova já não existe, que há meia dúzia de cavalos nas instalações da coudelaria e que os potros deixaram de ir para a ilha. As éguas que não pude ver, estavam no campo. Na desmama, exactamente. Espero que haja ração para os potros.
Tento compreender. Há um ambiente de cepticismo que me arrasta para a teoria da conspiração. A degradação da coudelaria de Alter interessará a alguém? A médio prazo, seguramente que não. A curto prazo, talvez alguns criadores de cavalos lusitanos julguem poder " lucrar" com esta situação miserável e intolerável. Que interesses terão determinado a acção da  administração da Fundação Alter Real, criada com tanta pompa e optimismo?
Há associações mentais que ninguém pode evitar. O Senhor Dr. António Borges, ao que parece, é de Alter do Chão, ou aí terá as suas origens. Na sua perspectiva, como sabemos, os empresários portugueses "são estúpidos". Reprovariam no 1º ano da "sua faculdade". Qual delas? Stanford? Londres? Insead? O Senhor, como sabemos é PH. Doctor! Director do FMI até há pouco tempo. Managing Director do Goldman Sachs, etc. etc.. Uma eminência. Com tiradas como a referida. Mas não só. Já lá vão algumas. Mas esta eminência nunca foi empresário, que se saiba. E desconhece que ser economista não é o mesmo que ser empresário. Os economistas poderão ler muitos livros. Mas poucos arriscam o seu património. Poucos têm a generosidade de criar empresas e empregos. Para ser empresário não é preciso ser-se economista. É precisa visão. è precisa coragem. Aquilo que os burocratas, por muitas influências que movam e por muito dinheiro que ganhem, não têm. Exactamente porque são burocratas. Doutos e manhosos, talvez. Arrogantes, quanto baste. Mas não são empresários. falta-lhes a generosidade e a coragem. Por isso e bem, alguém terá dito que não contrataria o Dr. António Borges.




Regressemos à Coudelaria de Alter. Que um empresário, ou um grupo de empresários portugueses salvem, com coragem e generosidade, este símbolo de um passado glorioso e que pode representar o futuro que nos foge. Ou que alguém neste desgoverno para que o país foi tristemente arrastado, tenha a lucidez de compreender o muito que está em jogo na Coudelaria de Alter, na sua preservação e na valorização do cavalo Alter Real. Alguém, na área do poder, deverá ter a cultura e a lucidez para fazer o que tem de ser feito. Inadiavelmente. Apesar de toda a sua eminência e das suas origens, não acredito que seja o Dr. António Borges. Como bom burocrata, para quem todos os outros são "estúpidos" assitirá tanquilamente à degradação da Coudelaria de Alter e ao inevitavel definhamento da própria vila de Alter do Chão. Por mim, verterei lágrimas de tristeza. Mas, por enquanto, rezo para que um milagre aconteça: à coudelaria e ao país. Não serei o único a rezar, seguramente. 

sábado, 15 de setembro de 2012

Limites

Para tudo há limites. Não é aceitável o tipo de austeridade que se pede aos portugueses: cega, irracional, sacrificando os mais indefesos. Caminhamos para o abismo. Já aqui o disse: a austeridade não pagará a dívida. Ela é necessária para diminuir o ritmo de endividamento, é verdade. Gastámos o que não tínhamos nem poderíamos produzir. Fomos enganados por governantes irresponsáveis que deveriam ser julgados pelo mal que causaram ao erário público, à sociedade portuguesa, logo, a todos e a cada um de nós. A troika não invadiu Portugal. Nem se intrometeu sem ser chamada. Fomos nós que pedimos o "resgate". Fomos nós que tivemos necessidade de os chamar.  Fomos nós que criámos condições para uma austeridade incontornável. Foram os irresponsáveis que nos governaram ( mal) e que se governaram e governam ( muito bem) como todos os portugueses sabem, excepto a Directora do Departamento cuja função é exactamente investigar actos ilícitos (crimes)  ditos de colarinho branco. Algo deve ter feito para ocupar um cargo tão importante. Mas eu não consigo vislumbrar tanta competência e tanto rigor. Peço ajuda a quem conseguir. Enfim, os credores impuseram austeridade para acautelarem os seus empréstimos, o seu dinheiro. O que lhes interessa é que sejam alcançados os objectivos. O tipo de medidas a adoptar são-lhes irrelavantes, desde que percebam que há reformas estruturais que permitirão ao país pagar as dívidas e evitar este constante recurso à ajuda externa. Tem sido uma por década. Mas os donos desta democracia não têm vergonha. Quem nos levou a este estado de coisas deveria ser julgado, evidentemente. Os Islandeses fizeram-no. Ao contrário do que já vi afirmado, há lei para julgar a maioria dos actos criminosos que lesaram o Estado em milhões. Enfim, tudo isso deve ser feito. Mas repito: há limites para tudo e também necessariamente para esta austeridade desumana e que ameaça destruir a economia e a sociedade portuguesas, ou melhor, a comunidade nacional. A farsa democrática em que temos caído, eleição após eleição, na vã esperança de que algo mude deu-nos uma sociedade onde as desigualdades são gritantes. Das maiores desigualdades em toda a Europa, como sabemos. Mas, ao contrário do que vemos acontecer em muitos países, mesmo na Grécia, os nossos políticos e gestores de empresas públicas não se dispôem a dar o exemplo na mais pequena medida de austeridade. Há sectores da administração central, regional e local onde o desperdício é chocante. Onde os enredos burocráticos, inúteis e completamente desnecessários, consomem tempo, paciência e muito dinheiro. Há serviços que só "trabalham" para justificar a sua existência. Todos sabemos disso. O desperdício e a incompetência impedem o país de produzir. Não se vêem medidas para corrigir esses vícios estruturais. Falou-se em cortar as gorduras do Estado. Mas medidas a sério ninguém vê. Para além do mais simples, rápido e banal: o corte de salários que determina menor consumo, que determina o encerramento das empresas, que determina desemprego, que determina menor consumo e mais despesa pública, etc.etc. num infernal ciclo vicioso. Precisamos de consumir menos? É verdade. Precisamos de orientar mais as estruturas económicas para um equilíbrio das contas públicas? È verdade. Mas, sem investimento, não podemos adquirir o equipamento indispensável a essa reestruturação, que tem de se traduzir numa alteração da nossa posição na chamada cadeia de valor. Temos de produzir bens com maior valor acrescentado, sem destruir os sectores tradicionais. Será tão difícil de entender tudo isto? O Estado ( todos nós) emprestámos agora aos bancos ( principais responsáveis pela dita crise) 12 mil milhões para se recapitalizarem. O que vão fazer a esse dinheiro? Porque não se fixam quotas e objectivos anuais para que a economia ( essas famigeradas PME) seja financiada? A rapaziada que nos governa, estes naturalmente, parece terem tomado o país como um laboratório de experiências sociais. Penso que caminhamos para o abismo. Pela incompetência, pela mediocridade, pela cegueira de uma geração impreparada e despeitada até, mas arrogante e segura de todas as suas estúpidas ideias. Das suas idiotias. Somos governados há anos pelos meninos dos partidos ( os JJ), que nunca deram qualquer prova de competência numa actividade profissional. Na vida, em suma. Daí, esta amarga sensação que temos, quando ouvimos os seus belos discursos, de que eles devem viver num país diferente do nosso. Vivem mesmo. O país da partidarite onde passaram toda a sua vida em jogos de intrigas, é pago por nós. Mas nada tem a ver com o país real. Como diariamente se pode constatar. Não precisamos de uma crise política? Não. Não precisamos. Mas não estaremos a viver já uma crise política?  A apregoada estabilidade ( de governação) não é um valor em si mesmo e muito menos um valor absoluto. É tempo de dizer basta. As medidas de austeridade não podem ser cegas. Não podem destruir a economia e muito menos a sociedade que trabalha e produz. É preferível uma crise política à queda no abismo. Em nome dos mais pobres e dos mais indefesos, e sem necessidade de uma mandato específico, também eu digo: basta!

Nota: a fotografia foi retirada de fotosearch.
Declaração de interesses: os rendimentos com que vivo provêm inteiramente do meu trabalho, isto é, não "mamo na teta do Estado."

domingo, 9 de setembro de 2012

Canaris, TC e António Borges

Começo com um plágio, mesmo sem poder citar o autor, porque não o conheço: este governo tem um ministro das equivalências e uma equivalência de ministro. É uma tirada de mestre! Todos sabem quem são, evidentemente. Deixo claro que o último é essa eminência parda chamada Dr. António Borges. Lembram-se que há meses disse ( diz coisas interessantes todos os dias, porque terá aprendido no Goldmann Sachs, seguramente) disse, repito, que os salários teriam de baixar. Logo a seguir veio atabalhoadamente dizer que não queria dizer o que disse. O comum, para este político que não é, como para os restantes que também não são. Eles gostam de não ser. Poque será? Shakespeare, of course. Just the not to be. Why not? Agora o Senhor primeiro ministro, de quem o que não é, afinal, só é conselheiro, deu mais um mortífero corte nos salários. Para criar emprego e para ir de encontro à igualdade querida pelo Tribunal Constitucional. É verdade que o acórdão é mau. Tão mau que o seu Presidente ( do TC) se viu na necessidade de o expllicar. Sim, porque para esta gente somos todos néscios. Quod erat demonstrandum. Agora a sério:  o pretexto ( mau) terá sido encomendado? As medidas enunciadas são brutais, injustas, insensíveis e humanamente inexplicáveis. Não criarão emprego, obviamente, porque a maioria esmagadora das empresas que "seria suposto beneficiarem" da descida da Taxa Social Única não têm nem terão dinheiro para investir. As que o têm, não investirão. A perda de poder de compra dos trabalhadores por conta de outrém ( sectores público e privado) agravar-se-á, decrescerá o consumo e lá se vão mais PME's com que tanto enchem a boca os que não gostam de o ser, e pelas quais nada fazem porque são aquilo que não digo. Vejam-se as estatísticas sobre o crédito e está tudo dito. É inaceitável. E é incrível que um governo com tanta gente aparentemente jovem seja tão insensível e tão velho, afinal de contas. Bom, o que aqui e agora queria dizer é que afinal o Dr. Borges sempre fez o que anunciou ( redução dos salários) dizendo depois que não tinha querido dizer. Mas sempre queria fazer. É diferente.  Acontecerá o mesmo com a RTP? O TC, afinal, com um mau acórdão, não sopesou as consequências da sua decisão. Pressupondo o melhor, claro está. Pois a não ponderação das consequências da decisão - por muitas explicações que agora queiram dar - é um dos muitos sinais da qualidade deste Tribunal Superior. Sim, Tribunal Superior. Existe superiormente, sem se entender simplesmente porque terá de existir. Mas existe. E daí? A asembleia da República é que se vê em papos de aranha cada vez que uns ministros ( acordo ortográfico) do TC têm de ser substituídos. Pois é. Suou as estopinhas o Professor Claus-Wilhelm Canaris para explicar que a ponderação das consequências da decisão é um elemento essencial na interpretação e aplicação da Lei. Esforçou-se tanto o Professor Menezes Cordeiro para explicar o pensamento sistemático ou sistémico do Direito. A Fundação Calouste Gulbenkian julgou ter tomado uma decisão importante com a publicação do Livro do Professor Canaris e do longo e excelente prefácio do Professor Menezes Cordeiro. Tudo isso. Mas afinal, os Senhores Juízes do TC ou desconhecem o princípio ou ignoraram-no. Decidiram valorizar antes e mais outras realidades ou verdades mais apropriadas. Bem feito. Agora, clamam os Senhores Juízes por mais um acórdão. Sim. Porque as medidas não têm a característica de ser más em si mesmas. A sua principal característica é serem uma afronta ao TC.  Não pode ser afrontado o TC? Só ele é que pode afrontar quem entenda? Cá para mim, acho que deveríamos deixar de ter governo. Os juízes é que deveriam governar. Aqui, sim, pouparíamos na despesa. Porque não dizem isso à troika? Eis uma medida de poupança "à séria", como diria qualquer ministro e não só os respectivos e variadíssimos equivalentes.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Cotas % Cª

Não. Que ninguém se iluda. Uso cota  em vez de quota, propositadamente. Quota é o termo certo, em Português, - antes do acordo - para designar uma parte, uma parcela de um todo, como são as quotas de uma sociedade comercial. Cota, para além da vestimenta medieval e de outros sentidos entretanto adquiridos por natural evolução semântica é agora ao que penso, o jargão jovem para velhote, ultrapassado. Há atitudes pintadas de modernices que são verdadeiras imbecilidades. Em nome da igualdade têm-se dito alarvidades tamanhas e continuam a tomar-se atitudes de uma ignorância que faz perder o tino a qualquer cristão. De rãs ou de sapos, o Tino. Agora é a UE, dita, como sabem, União Europeia. Como se nada mais houvesse para fazer na UE, decidiram mandar também  nas empresas e impor quotas nas administrações: 40% de mulheres. Porquê? Porque não 50%? E porque não 65%? E porque não exigir tão simplesmente mérito? Seja ele feminino ou masculino? Santo Deus! Estamos perdidos. Os burocratas, indiferentes aos gravíssimos problemas que eles e os primos banqueiros nos causaram e ao nosso sofrimento para pagar a sua incompetência e a sua ganância, continuam a brincar às quotas. Será que não ouvem sequer as mulheres lúcidas que só querem estar em condições de igualdade com os homens e que dispensam paternalismos patéticos? Será que tudo isto não passa para estes palermas de um jogo multifacetado, com o objectivo infantil de afirmarem um poder que não sabem e não deveriam usar? Tenham vergonha! Com a união monetária a esfumar-se, e a própria união europeia em risco de ser um projecto do passado, os burocratas de Bruxelas, divertem-se com miudezas que os europeus merecem. Esta é a verdade. Infelizmente merecemos. Aliciados por migalhas, fomos deixando criar monstros de burocracia e incompetência sem nos apercebermos do risco de submergirmos. Sem nos apercebermos dos riscos de nada conseguirmos controlar. Em bom rigor, sem nos apercebermos de que foi a própria liberdade que hipotecámos.
Portugal é um país de mistérios! os combustíveis aumentam. Atingem recordes. Uns atrás dos outros. Logo, deveria haver uma maior utilização dos transportes públicos. E estes deveriam investir em qualidade em tempos de crise. Mas não. Desinvestem. E parece que as empresas públicas, as de transportes, designadamente, tiveram muito mais prejuízos no 1º semestre do ano. 700 milhões, segundo o Público. Os prejuízos aumentaram 94%. Duplicaram. Estranho. Bizarro. Porque as auto-estradas também têm menor movimento. Então das Scuts parece que nem é bom falar. Os génios que nos governam não entendem que há um limite para tudo, mesmo para arrecadar receitas, sejam elas fiscais ou outras. O IVA aumentou e gerou menor receita para o Estado. Como vários outros impostos. E menor receita virá.  Esta realidade está comprovada há longos anos por mais do que uma teoria económica. Não as conhecerão os governantes ou descobriram eles novas teorias? A propósito: o que será feito do homem que afiançou que as auto-estradas sem custos para o utilizador seriam mesmo isso? Pagas com o maná que cai dos Céus? Não se tem pronunciado. Talvez devesse ser procurado em Bond Street. Agora, que os Olímpicos deram lugar aos Paralímpicos. Onde ganhamos medalhas, mas que os jornais ignoram. É a igualdade no seu melhor. Com quotas patéticas e cotas modernaças e ignorantes, o nosso caminho está traçado. Não vamos lá. E a propósito. Onde deveriamos ir?


domingo, 2 de setembro de 2012

Incorruptíveis

Na fotografia, está ladeada por um político e pelo Senhor Procurador Geral. O político foi, evidentemente, um "lutador anti-fascista". Foi-lhe dada a incumbência, como ministro, de reformar a administração pública e, bem sucedido nesta tarefa, como todos sabemos, foi encarregado mais tarde e até há pouco tempo, de "reformar a Justiça". Saíu-se sempre muito bem, naturalmente. Foi desavergonhadamente dito pela comunicação social que favorecera a mulher e, mais tarde ( imagine-se!) corrigiu o erro e o erário público recebeu o que nunca deveria ter gasto. Sobre o Senhor Procurador, nada quero dizer, até porque está em final de mandato. Ocorrem-me algumas novelas, todas profundamente esclarecedoras: face oculta, freeport, furacão, submarinos, monte branco, Maddie, Lima Duarte, enfim, novelas tantas que nos deixam estarrecidos. Mas enfim: falemos do nosso principal objectivo. Tão bem ladeada, a Senhora Procuradora adjunta Cândida Almeida - segundo os jornais, que exageram sempre - terá dito em mais uma Universidade de Verão que, em Portugal, os políticos não são corruptos. Disse-o reiteradamente. Calculo que teve mesmo de repetir em virtude do ar espantado da audiência, ainda que de aprendizes dos tais. Com a repetição ou repetições, lá foi corrigindo que estamos na média da Europa, mas que nenhum outro país europeu investiga, como nós, os grandes negócios do EstadoOs rapazes da Transparência Internacional não sabem o que dizem, naturalmente, desancam em nós apenas com base nas parvoíces que ouvem ao povo inculto. Claro que aproveitou para distinguir com o rigor que se lhe reconhece, os crimes de fraude fiscal dos de corrupção ( imagino!)  e outras minudências, a saber: que o que há é claríssimos abusos do segredo de Justiça. Nunca se viu tanto segredo de Justiça como em Portugal. Por isso, lá terá de haver umas violações. Seja qual for o ilícito a ser investigado, há uma única coisa que vai ser admitida pelos responsáveis: violação do segredo de Justiça. É o crime ao qual todos os outros se resumem. Onde não há segredo de Justiça, não há investigação, obviamente. Não há acusações nem julgamentos. Não há condenações nem absolvições. É a impunidade. A total impunidade. A Senhora procuradora chama-se Cãndida, mas é difícil acreditar que as suas afirmações tenham sido proferidas por simples candura. De resto, em muitas manifestações de má fé e de ignorância deste povinho, os comentários a vociferarem contra as afirmações da Senhora procuradora nas versões online dos jornais, são às centenas. Mal feito! Como sempre, a nossa percepção da realidade não passa de uam simples ilusão. A senhora procuradora adjunta é que tem razão: podem chorar, podem cantar, podem sorrir e até submergir...porque a verdade, nem às paredes confesso.  

* A imagem da Arlequina foi retirada do blog Quadrinhos. blogspot.com

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

De acordo, Isaac

Há semanas conheci um casal israelita que ficou hospedado no Hotel Montemor. Ele era Isaac e ela ( espero não adulterar) Megham. Ambos já reformados, tendo anteriormente execido cargos de bastante responsabilidade no Estado e sociedade Israelitas. Para minha surpresa, o Isaac mostrou-se um homem muito bem informado sobre a actualidade portuguesa. Foi ele que me confidenciou :" formar jovens e permitir que eles emigrem por falta de oportunidades é um crime." De acordo Isaac. Mas ainda a respeito de Economia ( com E grande) e da miopia e mediocridade criminosa de quem nos tem governado nos últimos 30 anos, O Isaac disse-me duas coisas, em que também concordamos plenamente, mas que eu desconhecia terem sido postas em prática em Israel. Após a queda do muro de Berlim, os responsáveis isralitas "publicitaram" em todos os chamados países de Leste que todos os licenciados ( com qualquer curso)  seriam bem vindos a Israel, ser-lhes-ia garantida casa e rendimentos durante um ano e meio, sem embargo de deverem aceitar o emprego que os respectivos serviços conseguissem. Israel viu assim aumentada a sua população em quase um milhão de pessoas com uma licenciatura. Ainda co-relacionados são os apoios do Estado à natalidade que, segundo Isaac, fazem com que, neste momento, as mulheres israelitas sejam as mais férteis do mundo ocidental: algo como 3 filhos, em média por cada mulher em idade fértil. Finalmente, o Estado Israelita tomou medidas muito sérias para que as empresas com mais empregados,  adoptassem para sede todas as cidades ou aldeias da província, mas não em Jerusalèm ou Telavive. Que raiva Isaac! Porque será que os acéfalos que têm governado Portugal nos últimos 30 anos, não conseguiram ainda entender que só medidas dessas podem assegurar o futuro? Talvez o saibam. Mas o seu bolso, os seus interesses, a sua mediocridade, o compadrio em que se movem, estão muito acima dos interesses nacionais. Quando conseguiremos caminhar de costas direitas e sem medo desta cambada de imbecis?